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Política

Engajamento nas redes acompanha votação recorde de políticos no Ceará

André Fernandes e Tancredo dos Santos lideraram as votações para a Câmara e a Assembleia do Ceará, enquanto especialistas apontam limites da influência digital.

Engajamento nas redes acompanha votação recorde de políticos no Ceará
Foto: Davi Rocha; Câmara de Fortaleza

Políticos com forte presença nas redes sociais alcançaram votações expressivas nas eleições de 2026 no Ceará. André Fernandes (PL-CE) foi reeleito para o segundo mandato na Câmara dos Deputados com mais de 684 mil votos, o maior resultado entre os deputados federais do estado e do Nordeste neste ano.

Fernandes também aparece como o décimo político brasileiro mais influente no Instagram em 2026, segundo estudo da Zeeng divulgado em julho. Em consulta realizada na última sexta-feira (9), ele tinha mais de 3 milhões de seguidores.

Na disputa pela Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), Tancredo dos Santos (PL), apoiado diretamente por Fernandes, foi o deputado estadual mais votado, com mais de 151 mil votos. Ele acumulava 641 mil seguidores no Instagram na mesma data.

Direita lidera influência digital

O desempenho de Fernandes acompanha o de outros parlamentares de direita com grande engajamento nas redes, como Lucas Pavanato (PL-SP) e Nikolas Ferreira (PL-MG). Os dois produzem conteúdo político na internet e tiveram votações expressivas em 2026.

Fernandes ganhou notoriedade inicialmente com vídeos de humor e depois passou a abordar temas políticos. Em 2018 e 2022, já havia sido o deputado estadual e o deputado federal mais votado do Ceará, respectivamente.

Para Carla Quaresma, cientista política com estudos em Marketing Eleitoral, políticos de direita utilizaram as novas mídias para alcançar visibilidade entre públicos mais jovens e menos ligados aos meios tradicionais. Monalisa Soares, cientista política e integrante do Laboratório de Estudos sobre Política, Eleições e Mídia (Lepem), da Universidade Federal do Ceará (UFC), afirma que a direita desenvolveu estratégias mais compatíveis com a lógica das plataformas.

Esquerda amplia espaço

Candidatos de esquerda também tiveram destaque. O estudo da Zeeng colocou Erika Hilton (Psol-SP) na quarta posição entre os políticos mais influentes do Instagram em 2026. O presidente Lula (PT) e André Janones (Rede-MG) ficaram entre os 20 primeiros do ranking.

No Ceará, Gabriel Biologia (Psol) foi o segundo mais votado para a Assembleia, com 141 mil votos, cerca de 9 mil a menos que Tancredo dos Santos. Ele tinha 232 mil seguidores no Instagram e se tornou conhecido por produzir conteúdo e fazer denúncias relacionadas ao meio ambiente.

Na eleição de 2024, Gabriel havia sido o segundo mais votado para a Câmara de Fortaleza, com 30.682 votos. Outro nome ligado à internet, Leo Suricate (Psol), foi o 40º mais votado para a Alece.

Para Wagner Borges, professor de Jornalismo e Marketing Político na Universidade de Fortaleza (Unifor), a tecnologia não pertence a um campo político específico. Segundo ele, direita e esquerda adotam narrativas diferentes, enquanto as plataformas favorecem formatos próprios de interação.

Redes não substituem a política tradicional

Monalisa Soares afirma que o alcance digital, sozinho, não explica uma eleição. Recursos investidos por partidos ou terceiros e o apoio de outras lideranças políticas também influenciam o desempenho dos candidatos.

Nas eleições deste ano no Ceará, a presença nas redes não produziu resultados uniformes. Célio Studart (PSD) e Carmelo Neto (PL), ambos com forte atuação digital, ficaram nas posições 13º e 22º entre os mais votados para a Câmara, respectivamente.

Os especialistas avaliam que a lógica da influência se consolidou e deverá ser compreendida pelos políticos, mas não transforma todos eles em influenciadores nem elimina as estruturas tradicionais. Monalisa Soares também ressalta que nem todo candidato ou influenciador com destaque nas redes consegue se eleger.

Efeitos sobre o debate democrático

Carla Quaresma alerta para o esvaziamento do debate político quando as redes são usadas principalmente para espetáculo e entretenimento. Wagner Borges afirma que a rapidez e a cultura dos cortes dificultam a reflexão e empobrecem o debate público.

Monalisa Soares aponta ainda que a visibilidade não deve substituir a prestação de contas dos mandatos. Para ela, além da performance nas plataformas e nos discursos, é necessário acompanhar a atuação política dos eleitos, incluindo projetos de lei apresentados e aprovados.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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