SÃO PAULO — Derrotada na disputa por uma vaga no Senado por São Paulo, Marina Silva (Rede) avalia que a próxima legislatura do Congresso Nacional poderá ampliar uma pauta de retrocessos ambientais. Para a ex-ministra do Meio Ambiente, o cenário tende a ser mais preocupante se Flávio Bolsonaro (PL) vencer a eleição para o Palácio do Planalto.
"É um cenário altamente preocupante", afirmou Marina. Ela citou o risco de mudanças em marcos regulatórios e criticou uma possível postura alinhada aos interesses de Donald Trump. Na avaliação da ex-ministra, esse movimento prejudicaria interesses econômicos, sociais e ambientais do Brasil.
Marina ficou em quarto lugar na eleição para o Senado. André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP), ambos candidatos de direita, foram eleitos no estado. Simone Tebet (PSB), também ex-ministra de Lula (PT), terminou atrás dos dois vencedores. Marina voltará ao cargo de deputada federal.
Críticas à agenda ambiental
A ex-ministra afirma que a atual legislatura já aprovou medidas que considera retrocessos. Entre elas, cita a flexibilização do licenciamento ambiental, limitações à fiscalização do Ibama contra crimes ambientais e a redução de áreas de preservação e terras indígenas.
A lei que simplifica o licenciamento ambiental foi aprovada em 2025. Também foi criada a Licença Ambiental Especial, categoria que dá análise prioritária, de no máximo um ano, a projetos escolhidos pelo governo federal conforme critérios políticos, independentemente do impacto.
Em 2026, congressistas deram andamento a um projeto que reduz o poder de atuação do Ibama em fiscalizações contra crimes ambientais. Também avançaram projetos que, somados, reduzem 555 mil hectares de áreas de proteção ambiental. A área equivale a 3,7 vezes o território da cidade de São Paulo.
Marina afirmou que concentrará sua campanha de segundo turno na tentativa de reeleger Lula. O presidente ficou em segundo lugar no primeiro turno, com 45% dos votos, atrás de Flávio, que obteve 47%. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
"As pessoas não precisam gostar do Lula, porque a gente está elegendo o presidente, não o amigo", disse Marina, ao defender a escolha do candidato com base nas políticas públicas e na igualdade de oportunidades.
Resultado e financiamento
Apesar da derrota, Marina destacou os 7,8 milhões de votos recebidos em São Paulo, acima dos 5,6 milhões obtidos no estado quando concorreu à Presidência da República, em 2014. Tebet terminou a disputa ao Senado com 8,3 milhões de votos.
Marina também criticou a diferença nos recursos destinados às campanhas. Recebeu R$ 1 milhão da Rede e mais R$ 1,1 mi do PSOL. Ricardo Salles (Novo), que desistiu da candidatura, recebeu R$ 3,9 milhões. Tebet teve R$ 6,7 milhões investidos na campanha.
André do Prado recebeu R$ 6,9 milhões, e Derrite, R$ 5,8 milhões. Heloísa Helena, que assumiu o controle da Rede e terminou como suplente na disputa por uma vaga de deputada federal no Rio de Janeiro, recebeu R$ 2,8 milhões do partido.
Marina afirma que sua atuação futura ainda não está definida. Ela diz que pretende manter o foco em São Paulo e que continuará trabalhando pela pauta ambiental, esteja ou não na política institucional.



