SÃO PAULO — O presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou torcer para que não haja caos institucional na relação entre o Executivo e o Judiciário caso Flávio Bolsonaro vença Lula no segundo turno da eleição presidencial. Ele disse confiar na estabilidade da democracia e defendeu que a saída para a tensão entre os três Poderes seja o funcionamento das instituições.
Kassab também criticou o movimento de uma bancada bolsonarista forte no Senado em favor do impedimento de ministros do Supremo Tribunal Federal. Para ele, impeachment não pode ser uma bandeira. O presidente do PSD defendeu fiscalização, investigação e transparência como prioridades.
O dirigente afirmou que não acredita na ocorrência de uma crise institucional, mas reconheceu a existência de um cenário de tensão. Segundo Kassab, um eventual governo de Flávio teria um Congresso mais favorável do que o encontrado pelo pai. Ele disse ainda que mudanças na Constituição dependem de apoio parlamentar: o partido de Flávio não teria 308 votos na Câmara, enquanto a frente de esquerda teria 109.
Independência do PSD
Kassab afirmou que o PSD manterá uma posição de independência e apoiará projetos considerados bons, seja Lula ou Flávio o vencedor. O partido tem três ministérios no governo Lula, mas o dirigente evitou discutir cargos e disse que a prioridade é preservar a unidade da legenda.
No primeiro turno, o PSD liberou seus filiados para apoiar qualquer candidato. Ronaldo Caiado, que foi vice de Kassab e recebeu 2,18% dos votos válidos, declarou apoio a Flávio. Outros integrantes do partido, como Otto Alencar, Antonio Brito e Eduardo Paes, apoiaram Lula.
Kassab rejeitou a ideia de que a candidatura de Caiado tenha sido um erro. Disse que a decisão serviu para reafirmar a identidade do PSD e seu perfil de centro. O partido elegeu 43 deputados, ante 48, e terá 5 senadores, contra 14 anteriormente. Também conquistou 4 governos estaduais, diante de 6, e pode chegar ao quinto no Amazonas.
O presidente do PSD reconheceu que a legenda esperava eleger cerca de 70 deputados federais. Atribuiu o resultado à expansão do PL, que teria conquistado quase 130 deputados e retirado cerca de 15 nomes de cada um dos grandes partidos. Ainda assim, afirmou que o PSD cresceu em número de votos e foi o único partido, além do PL, a crescer de 2022 a 2026.
Tarcísio e mudanças políticas
Kassab negou estar distante de Tarcísio de Freitas, governador reeleito de São Paulo e seu apoiador desde 2022. Disse que os dois estão próximos e que, no estado, o foco agora são as eleições municipais.
O dirigente defendeu o fim da reeleição e o voto distrital misto, modelo em que parte dos parlamentares é escolhida por região e parte por voto em partido ou lista. Também afirmou ser contrário às emendas parlamentares e disse que R$ 70 bilhões por ano são direcionados de forma eleitoreira.
Sobre a economia, Kassab avaliou que os candidatos não apresentaram respostas para o equilíbrio fiscal, que classificou como prioridade. Criticou ainda propostas que atinjam aposentados e pensionistas como ponto de partida para ajustes.



