Uma carta assinada por 58 integrantes brasileiros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pelo Oscar, pede atenção internacional ao segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. Entre os signatários estão o ator Wagner Moura, os cineastas Kleber Mendonça Filho e Fernando Meirelles e o produtor Rodrigo Teixeira.
O documento manifesta preocupação com propostas de Flávio Bolsonaro (PL) para reescrever a Constituição e com o que os signatários descrevem como desmonte da cultura durante o governo de Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.
A carta também menciona a criptomoeda B22. O projeto oferecia tokens a pessoas que divulgassem conteúdos favoráveis ao voto em Flávio Bolsonaro e afirmava que destinaria parte dos recursos a crianças de Uganda.
Os integrantes da academia afirmam temer a retomada de medidas que, segundo eles, afetaram o audiovisual brasileiro durante a administração anterior. Entre os pontos citados estão o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo do Setor Audiovisual, o enfraquecimento de instituições culturais e acusações de censura.
“Tememos um retorno a esse cenário”, diz a carta.
O texto relaciona a proteção da liberdade de expressão e a sustentabilidade da indústria audiovisual à defesa da democracia. Também cita os planos do governo de Donald Trump de enviar US$ 1 milhão para financiar grupos contrários ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob a alegação de que a corte ultrapassa suas atribuições judiciais e impõe censura no Brasil.
Para os signatários, os acontecimentos no país fazem parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral na América Latina. A carta defende que a democracia brasileira seja protegida por eleições livres, justas e transparentes, além de vigilância e participação da comunidade internacional.
Alice Braga, Anna Muylaert, Daniel Filho, Lais Bodanzky, Lucy Barreto e Sônia Braga estão entre os outros nomes que assinam o documento, divulgado neste sábado (10).



