O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), adiou um pronunciamento em que pretendia explicar sua atuação e responder às críticas do ministro André Mendonça. A decisão ocorreu após magistrados aliados recomendarem que ele aguardasse, enquanto as atenções estavam concentradas na operação da Polícia Federal sobre o filme "Dark Horse".
A assessoria do STF informou às 7h40 que Moraes falaria às 11h. Às 8h45, porém, divulgou o cancelamento e informou que o pronunciamento será remarcado "para data oportuna".
Moraes preparava argumentos para rebater Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master. Um ministro próximo avaliou que eventuais pontos sem explicação poderiam permanecer como problema até a sessão pública da próxima terça-feira (15), quando o plenário do STF discutirá a crise pela primeira vez.
Também houve preocupação de que a manifestação agravasse o conflito entre os dois ministros e levasse o presidente da corte, Edson Fachin, a cancelar a sessão desta quinta-feira. Fachin acabou suspendendo novamente os trabalhos. Auxiliares disseram que ele considerou real o risco de a sessão antecipar debates previstos para terça-feira. Moraes e Mendonça ocupam cadeiras lado a lado no plenário.
Medidas adotadas por Fachin
Pressionado a buscar uma saída para a crise, Fachin retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e impediu Mendonça de avançar em investigações que poderiam atingir integrantes do STF.
A sessão de terça-feira vai analisar um relatório da PF que apontou Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de um pedido da Procuradoria-Geral da República para anular o documento. Os diálogos foram divulgados por Mendonça.
Moraes reagiu usando o inquérito das fake news para pedir que o colega respondesse por abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa. Depois, Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF, após questionar o uso de um relatório de inteligência da corporação no pedido de Moraes.
Flávio Dino reintegrou Rodrigues ao cargo. Fachin suspendeu as duas decisões sobre o diretor-geral e manteve Rodrigues na função, citando "comandos conflitantes e sobrepostos que geram lesão à ordem pública".
Dino também autorizou uma operação contra 29 pessoas que teriam participado de um esquema de desvio de recursos de emendas parlamentares para o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias e a produtora Karina Gama. Os dois negam irregularidades.


