Dez partidos do centrão anunciaram nesta quarta-feira (14) apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara dos Deputados. As siglas reúnem 252 deputados, número próximo dos 257 votos necessários para uma vitória no primeiro turno.
O grupo também informou que pretende atuar de forma conjunta na próxima legislatura, que começa em fevereiro de 2027. A declaração foi assinada por líderes e presidentes de PSD, Republicanos, MDB, Podemos e das federações União Brasil-PP, PSDB-Cidadania e PRD-Solidariedade.
Na nota, os partidos afirmaram que Motta terá apoio para iniciar conversas em busca de convergência e unidade em torno da recondução ao cargo. O texto também registra o objetivo de manter uma Câmara plural, independente e aberta ao diálogo, com espaço para os 513 deputados.
O apoio partidário não garante que todos os parlamentares seguirão a orientação das siglas. A votação é secreta, o que pode fazer com que parte dos deputados não vote conforme a posição anunciada pelos partidos.
Articulações e oposição do PL
Motta recebeu ainda o apoio do PDT, que terá seis deputados a partir do próximo ano. O presidente da Câmara busca também a adesão de partidos de esquerda, como PT e PSB. O movimento pode deixar isolado o PL de Flávio Bolsonaro, que declarou oposição à candidatura de Motta.
O primeiro partido a apoiar a reeleição foi o PSD, nesta terça-feira (13). Antônio Brito (BA), líder da sigla, era considerado um possível adversário de Motta. O presidente da Câmara intensificou as negociações depois da retomada dos trabalhos da Casa nesta semana, com a presença de líderes em Brasília.
O PL terá 121 deputados na próxima legislatura e passou a trabalhar contra a recondução de Motta. Sóstenes Cavalcante (RJ), líder da legenda, e Altineu Côrtes (RJ), vice-presidente, planejavam disputar o cargo na eleição marcada para 1º de fevereiro. O partido ainda considera lançar uma candidatura alternativa com apoio de parlamentares de direita, caso essa seja a decisão de Flávio Bolsonaro.
Apoios em avaliação
O PT indicou que apoiará Motta, mas ainda deve discutir o assunto antes de oficializar a posição. A expectativa é que PC do B e PV, que integram a federação governista, acompanhem a decisão.
Nesta quarta-feira (14), Motta colocou em votação um projeto que amplia o teto de faturamento e prevê o perdão de dívidas do MEI. Ele também apoiou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A relação com bolsonaristas já havia sido afetada pela decisão de não votar a anistia dos condenados pela tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023. Em vez disso, a Câmara aprovou um projeto para reduzir penas. Motta também participou da articulação para colocar em votação a PEC do fim da escala 6x1, tema que gerou desgaste para a oposição e para Flávio Bolsonaro.


