O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), deve receber relatórios da Polícia Federal sobre menções a integrantes da Corte e seus familiares no caso Master. O material foi solicitado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que pediu uma reunião com Fachin. Em ofício, o ministro afirmou que nenhum fato nem ninguém deve ficar fora da apuração.
Há referências, em diferentes graus, a pelo menos seis dos 10 ministros do Supremo ou a parentes deles. Os documentos também mencionam ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST). Nas últimas semanas, a PF trabalhou para individualizar as citações.
A corporação avalia que a reunião pode resolver divergências provocadas pelo caso e permitir a retomada das investigações. No Supremo, uma ala ligada ao ministro Alexandre de Moraes defende que não haja avanços antes do fim das eleições. A avaliação é que, depois de um quadro mais completo sobre o material reunido contra cada integrante, Fachin deve dar o mesmo tratamento a todos os citados.
Aliados de Moraes e do ministro André Mendonça defendem, reservadamente, que os elementos sejam enviados à Procuradoria-Geral da República (PGR) para análise. A medida não seria vinculada ao procurador-geral, Paulo Gonet, também citado no caso e cuja apuração foi rejeitada pelo Conselho Superior do Ministério Público. O envio à PGR daria respaldo técnico ao Supremo e tempo para novas tentativas de composição interna.
Menções no caso Master
As relações entre ministros e o caso começaram em abril de 2025, quando foi revelada a contratação, pelo Banco Master, do escritório da mulher de Alexandre de Moraes. Em dezembro, foi publicado que o contrato era de cerca de R$ 130 milhões. Neste ano, a PF apontou que Moraes foi interlocutor de ao menos 52 mensagens de Daniel Vorcaro, inclusive no dia da prisão do banqueiro.
Também foram citados Dias Tóffoli, em negócios com fundos do Banco Master ligados a um resort de sua família no Paraná; Nunes Marques e seu filho; Luiz Fux e seu filho; André Mendonça; e Gilmar Mendes, por meio do ex-cunhado, Chiquinho Feitosa. Todos os ministros e familiares negam irregularidades ou envolvimento com Vorcaro.
Apesar de uma melhora no clima entre as alas após o primeiro turno, Mendonça e Moraes continuam sem se falar, assim como Gilmar Mendes e Nunes Marques.



