Milhares de pessoas saíram às ruas nesta quarta-feira (14) nas principais cidades da Colômbia para protestar contra o governo de Abelardo de la Espriella, que assumiu a Presidência há dois meses. As manifestações foram convocadas pela oposição liderada pelo ex-presidente Gustavo Petro e reuniram sindicatos, comunidades indígenas, estudantes e feministas.
Em Bogotá, Medellín, Cali e outras cidades, as marchas terminaram de forma pacífica. Em Ibagué, no centro-oeste do país, tropas de choque usaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes. Os participantes entoaram slogans contra o governo, incluindo “vai cair!”.
A oposição afirma que estão ameaçadas medidas adotadas durante o governo de Petro, o primeiro presidente de esquerda da Colômbia. Entre elas estão o maior aumento do salário mínimo em décadas, a ampliação do acesso gratuito à universidade pública e o pagamento adicional por horas noturnas.
Os manifestantes também criticam a decisão de Espriella de abandonar a política de paz do antecessor e enfrentar grupos armados financiados pelo tráfico de drogas, com apoio dos Estados Unidos. Essas organizações se fortaleceram depois do acordo que levou ao desarmamento das Farc em 2016. O atual governo considera que o pacto foi indulgente com guerrilheiros acusados de crimes atrozes.
Outra reivindicação envolve o restabelecimento das relações diplomáticas com Israel, rompidas durante o mandato de Petro, e a aproximação com o governo de Donald Trump. Em Bogotá, houve bandeiras palestinas e a queima de uma grande bandeira americana.
Petro participou do protesto na capital sem fazer declarações. O senador Iván Cepeda também esteve na marcha. Ele perdeu a eleição presidencial para Espriella por menos de um ponto percentual.
Os manifestantes disseram temer repressão após Espriella flexibilizar, por decreto, o uso da força em casos de danos ou bloqueios de vias. O presidente afirmou que a medida permite “combater o terrorismo urbano disfarçado de protesto”. Para o professor Óscar Pérez, de 40 anos, a mudança busca intimidar a população, mas o direito de protestar está previsto na Constituição.



