SÃO PAULO — A deputada estadual eleita Sofia Favero (PSOL) afirmou que suas prioridades na Assembleia Legislativa de São Paulo serão moradia, trabalho digno, saúde, bibliotecas, hospitais, Fatecs e Etecs. Para ela, o debate sobre pronome neutro é impulsionado pela extrema direita e não representa as pautas que pretende defender.
"Nossas pautas são moradia, trabalho digno, saúde, construção de bibliotecas, hospitais", disse Favero. Ela também citou a defesa das Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo e das Escolas Técnicas Estaduais.
Doutora em psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Favero foi eleita com 407.773 votos e ficou em terceiro lugar entre os candidatos à Alesp. Ela foi superada por Eduarda Campopiano (PL) e Eduardo Suplicy (PT). Erika Hilton (PSOL-SP) foi sua principal madrinha política.
A deputada eleita classificou o resultado como surpreendente e afirmou que ele indica a existência de uma parcela da população paulista interessada em ter travestis na representação política. O PSOL, porém, não alcançou a cláusula de barreira ou de desempenho. Com isso, ficará sem tempo de TV e rádio para propaganda eleitoral gratuita e sem recursos do fundo partidário.
Questionada sobre seu futuro na legenda, Favero afirmou que ainda é cedo para tomar decisões. Ela disse admirar o PSOL e lamentou que o partido não tenha atingido a cláusula de barreira, mas declarou acreditar na possibilidade de reverter a situação.
Trajetória
Natural de Aracaju, Favero ganhou projeção nacional no início da década passada com a página Travesti Reflexiva, que, segundo ela, chegou a reunir 200 mil seguidores no Facebook. O espaço foi criado para abordar experiências de travestis em uma época em que, de acordo com a deputada, buscas sobre o tema levavam principalmente a notícias de morte ou conteúdo erótico.
A página também tratava de política e humor, com referências a vocabulários e formas de expressão da própria comunidade. Durante a graduação, Favero foi líder estudantil e ajudou a fundar o EducaTrans, cursinho pré-vestibular para pessoas trans. Depois de funcionar em uma escola que exigia a limpeza do prédio como contrapartida, o projeto recebeu espaço na sede do PSOL de Sergipe.
Favero relacionou o aumento da presença de pessoas trans na política a decisões do Supremo Tribunal Federal entre 2010 e 2020. Ela citou o casamento igualitário e a possibilidade de alteração do nome em cartório como medidas que ampliaram a cidadania e contribuíram para a entrada dessa população em universidades, no mercado de trabalho e na política.



