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Trump busca aliviar pressão eleitoral com acordo de diesel russo

Presidente enfrenta críticas por energia, guerra contra o Irã e impasse com a Ucrânia antes das eleições para o Congresso americano.

Trump busca aliviar pressão eleitoral com acordo de diesel russo
Foto: Getty Images via BBC

Donald Trump anunciou um acordo com Vladimir Putin para que os Estados Unidos recebam centenas de milhares de toneladas de diesel russo nos próximos meses. A medida foi apresentada pelo presidente americano como uma forma de reduzir os preços de energia, mas provocou críticas dentro e fora dos Estados Unidos e não teve efeito relevante sobre o valor do combustível.

O acordo ocorre antes das eleições de 3 de novembro, quando os americanos escolherão todos os 435 deputados da Câmara dos Representantes e 35 dos 100 senadores. Os deputados têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis.

Os preços de energia são uma fonte de insatisfação especialmente nos estados agrícolas do centro dos Estados Unidos, onde o diesel é usado em máquinas e no transporte. As pesquisas indicam que os eleitores consideram a guerra contra o Irã a principal causa de seus problemas. O apoio a Trump e a aprovação de sua condução da guerra e da economia americana caíram drasticamente.

Acordo com a Rússia gera reação

Em uma publicação na Truth Social, Trump disse que o entendimento levaria a preços mais baixos para os americanos e ordenou ao Departamento do Tesouro que suspendesse as restrições à venda de diesel russo nos mercados globais.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que não foi avisado previamente. Disse, porém, que seu país cumpriria o acordo. A Rússia não se manifestou, e lançou, na noite de domingo, uma nova onda de ataques contra usinas elétricas ucranianas.

Na segunda-feira, Zelensky afirmou que Putin não acompanhava as publicações de Trump e declarou que a Ucrânia responderia caso a Rússia não aceitasse um cessar-fogo energético durante o inverno.

Trump e Zelensky mantêm uma relação tumultuada no segundo mandato do presidente americano. Trump alterna entre responsabilizar a Rússia e a Ucrânia pelo conflito. No sábado, disse a repórteres na Casa Branca que a Ucrânia precisava de um novo presidente.

Os Estados Unidos também ameaçaram interromper a venda de armas e o compartilhamento de informações de inteligência com a Ucrânia caso Zelensky não suspendesse os ataques contra refinarias russas. Trump afirmou que o presidente ucraniano deveria parar imediatamente.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, declarou apoio ao cessar-fogo energético, mas criticou o acordo de diesel por, segundo ele, prejudicar a paz e a estabilidade na Europa e ajudar a Rússia a financiar a guerra contra a Ucrânia.

Quatro senadores republicanos se juntaram a democratas em uma carta que pedia a Trump a reversão imediata da decisão. Os parlamentares afirmaram que o Congresso havia proibido as importações de energia russa em 2022 para evitar que dólares americanos financiassem a guerra de Putin.

Pressão sobre os preços e o Oriente Médio

O preço do diesel permaneceu abaixo dos recordes, mas ainda acima de US$ 6 por galão. O resultado reduziu o impacto político positivo que Trump esperava obter com o acordo.

A pressão aumentou com uma onda de ataques dos houthis contra a Arábia Saudita. Os atentados atingiram aeroportos e infraestrutura energética e mataram pelo menos 13 pessoas no fim de semana. A ofensiva ameaça ampliar um conflito que já dura uma década e que se agravou durante a guerra entre os Estados Unidos e o Irã.

Michael Ratney, ex-embaixador americano na Arábia Saudita, afirmou que os ataques indicam que os houthis não pretendem limitar seus alvos a instalações militares ou de energia. Segundo ele, novas hostilidades podem ampliar os conflitos regionais e fazer o preço do petróleo subir novamente.

Trump tem atribuído à Ucrânia, e não ao Oriente Médio, a principal responsabilidade pelos problemas energéticos mundiais. O presidente também menciona o aumento do tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz, que havia sido efetivamente fechado por causa da ameaça militar do Irã.

Com os Estados Unidos e o Irã em um impasse prolongado, novas hostilidades podem afetar os preços do petróleo. Ao mesmo tempo, o presidente americano enfrenta a pressão do calendário eleitoral e a dificuldade de apresentar resultados concretos para a crise energética.

Para os eleitores, a responsabilidade tende a recair sobre quem está no poder. O fim de semana de Trump expôs a falta de soluções simples para a crise e ampliou as dúvidas sobre os efeitos práticos do acordo anunciado com a Rússia.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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