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Zimmerman prevê risco de Trump contestar vitória apertada de Lula

Pesquisador afirma que o governo americano pode usar o resultado da eleição para pressionar o Brasil e impor novas sanções.

Zimmerman prevê risco de Trump contestar vitória apertada de Lula
Foto: Timothy A. Clary/Afp

Nick Zimmerman, ex-diretor para Brasil e Cone Sul do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, avalia que Donald Trump pode não reconhecer uma eventual vitória de Luiz Inácio Lula da Silva se o resultado da eleição presidencial for apertado. Zimmerman é atualmente pesquisador sênior do Inter-American Dialogue e trabalhou no governo de Barack Obama.

Em entrevista ao podcast “A Máquina”, Zimmerman disse que a interferência do governo Trump na eleição brasileira não tem precedente recente na história dos Estados Unidos. Na avaliação dele, o presidente americano pode usar a apuração como instrumento de pressão sobre o Brasil.

Possíveis pressões após a eleição

Caso Lula vença por uma margem pequena, Trump poderia condicionar o reconhecimento do resultado a contrapartidas ou adotar novas sanções. Zimmerman afirmou esperar uma postura diferente da adotada pelo governo de Joe Biden em relação à credibilidade do sistema eleitoral brasileiro.

O pesquisador também avaliou um cenário de vitória de Flávio Bolsonaro. Nesse caso, Trump poderia pressionar por limites ao acesso da China à infraestrutura e aos minerais críticos do Brasil. Segundo Zimmerman, o governo americano busca maior acesso a esses recursos e pretende proteger empresas de tecnologia dos Estados Unidos de regulações consideradas negativas por Washington.

Para Zimmerman, a política de Trump representa uma mudança em relação à postura adotada por governos anteriores. Bill Clinton, George W. Bush e Barack Obama não apoiaram publicamente candidatos de outros países nem usaram a política econômica para favorecer candidaturas estrangeiras, segundo ele.

O pesquisador citou como exemplos de interferência recente a promessa de US$ 20 bilhões à Argentina antes das eleições legislativas e a ameaça de corte de ajuda externa em Honduras caso o candidato preferido por Trump não vencesse. Também mencionou as tarifas impostas ao Brasil, as sanções da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e a designação do PCC e do CV como organizações terroristas.

Relação bilateral e China

Na hipótese de vitória de Flávio Bolsonaro, Zimmerman prevê o início de uma negociação de acordo de comércio recíproco, chamado por Trump de ARTs. A estratégia, segundo ele, envolve o uso de tarifas para pressionar outros países a negociar. Esse processo poderia reduzir parte das tarifas aplicadas ao Brasil e ampliar a cooperação em segurança pública.

O alinhamento com Washington, porém, não seria total. Zimmerman afirmou que Trump deve exigir restrições à presença chinesa em infraestrutura, investimentos e minerais críticos. A pressão poderia seguir o modelo adotado durante o primeiro governo Trump em relação à tecnologia de comunicações da Huawei.

O pesquisador considera que essa pressão teria pouca chance de sucesso. Na avaliação dele, o alinhamento ideológico entre os governos funcionaria apenas até certo ponto sem um projeto econômico, e o interesse nacional brasileiro seria não escolher um lado entre Estados Unidos e China.

Sanções e setor financeiro

Zimmerman considera muito difícil a realização de operações militares dos Estados Unidos em território brasileiro após a classificação do PCC e do CV como organizações narcoterroristas. O risco mais provável, segundo ele, estaria no setor financeiro.

Se autoridades americanas concluírem que um banco brasileiro não adotou medidas suficientes para impedir a lavagem de dinheiro pelo PCC, a instituição poderia sofrer sanções. Zimmerman afirmou que já existem 25 organizações classificadas como terroristas e que esse número tende a crescer, ampliando a possibilidade de impacto sobre o setor financeiro brasileiro e de outros países.

Sobre a relação bilateral, o pesquisador afirmou que o período atual é o pior desde o golpe de 1964. Ele também disse que o dano pode ser irreparável no médio prazo, embora ainda haja condições de melhora. A principal preocupação, segundo Zimmerman, é a polarização da relação, com democratas defendendo o PT e republicanos apoiando os Bolsonaros.

Zimmerman avaliou, porém, que Donald Trump não será o principal fator da eleição brasileira. Para ele, a disputa será definida pelos problemas e desafios do cotidiano no Brasil, embora qualquer elemento possa ter impacto em uma eleição concorrida.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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