O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1º) que acompanha de perto as eleições brasileiras e classificou o pleito como muito importante. Ele também elogiou o Brasil e os brasileiros, sem declarar apoio a nenhum candidato.
"As pessoas do Brasil são fantásticas e é uma eleição muito importante", disse Trump. A declaração ocorreu a três dias do primeiro turno, em um momento de preocupação do governo brasileiro com uma possível interferência norte-americana na disputa.
A relação entre os governos de Trump e Luiz Inácio Lula da Silva foi marcada por conflitos comerciais, diplomáticos e políticos. Em julho do ano passado, Trump anunciou um tarifaço de 50% contra o Brasil e chamou Jair Bolsonaro de "líder altamente respeitado" em uma carta. Depois, encontrou Lula durante a Assembleia Geral da ONU. Houve flexibilização de tarifas e retirada da sanção contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
Tarifas e tensão diplomática
Neste ano, a tensão voltou a crescer. Em maio, Trump recebeu Flávio Bolsonaro no Salão Oval, poucas semanas depois de uma visita de Lula à Casa Branca. Em julho, o governo norte-americano impôs uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações brasileiras, após investigação baseada na Seção 301 da lei comercial dos Estados Unidos. A medida citou decisões de tribunais brasileiros sobre plataformas digitais, combate à corrupção, propriedade intelectual e desmatamento.
Outra tarifa, de 12,5%, também foi aplicada ao Brasil em uma investigação que envolvia outras 60 economias e tratava do uso de trabalho forçado. O governo Lula classificou a primeira medida como politicamente motivada, enquanto Washington afirmou que ela respondia a práticas comerciais consideradas injustas.
A tensão também alcançou o campo eleitoral. O governo brasileiro negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam viajar a Brasília. Em agosto, os Estados Unidos revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Em setembro, Trump reuniu em Nova York integrantes do Escudo das Américas, iniciativa que não inclui o Brasil. Após o encontro, 14 países da América Latina e do Caribe assinaram uma declaração que classificou o PCC e o Comando Vermelho, junto a outros 22 grupos, como organizações narcoterroristas.



