SÃO PAULO — O Altar Cozinha Afro Pop Ancestral, restaurante da chef pernambucana Carmem Virgínia em Pinheiros, recebeu três estrelas na avaliação. A casa chama a atenção pelo altar colorido na entrada, cercado de doces, e pela decoração interna, com oratórios esculpidos, santos e um quadro de fitinhas do Senhor do Bonfim.
Paçoquinhas, pirulitos, balas e gomas ficam nas mesas para os clientes. A recepção é simples e gentil, mas a atmosfera perde força quando o menu é apresentado por meio de QR code.
Entre os petiscos, o eparrei (R$ 65) reúne cinco pequenos acarajés, vatapá, camarões secos, molho lambão e uma salada de tomates. Os bolinhos estavam bem fritos, com interior macio e aerado, e os acompanhamentos eram saborosos. A porção, porém, é substanciosa e pode reduzir a fome para os pedidos seguintes.
Outra opção é Irandir e Beto e esse pastel de festa que só Recife tem (R$ 28), recheado com carne e finalizado com açúcar. O nome incomum pode provocar uma discussão à mesa sobre a origem da receita. Para uma refeição completa, a recomendação é deixar as frituras para outra ocasião e escolher um dos caldinhos: de sururu (R$ 30), de bobó de camarão cremoso (R$ 28) ou de feijão com camarões secos (R$ 28).
Entre os pratos principais, a rota do indivíduo (R$ 97) é bem servida e combina carne de sol artesanal feita com ancho, feijão-verde com bacon, cebola roxa grelhada, farofa de banana-da-terra e pirão de leite. A farofa foi o elemento de maior destaque. O pirão, que deveria suavizar o conjunto, ficou sem função definida.
O arroz haussá de Mãe Stella de Oxóssi (R$ 83), preparado com arroz de coco, charque e camarões, também apresentou sabor linear. O excesso de dendê tornou o prato pesado e encobriu os crustáceos, descritos como bonitos, mas insossos.
Aberto no começo do ano, o restaurante não reproduz nas receitas a identidade autoral e vibrante associada à chef. Faltam, nos pratos, toques capazes de provocar e surpreender, como faz o altar instalado na porta.



