A área ocupada por edificações em corredores fluviais vulneráveis do Nepal e de regiões vizinhas da Índia e da China aumentou 46% entre 2016 e 2023, aponta um estudo publicado na revista Scientific Reports. Os pesquisadores estimam que quase 300 mil pessoas vivam nessas zonas expostas a inundações.
A análise usou dados de satélite sobre a expansão de edificações e mapas topográficos para avaliar o desenvolvimento urbano em vales de encostas íngremes. Os cientistas consideraram construções localizadas até 50 metros acima do fundo dos vales, por onde as águas das enchentes podem avançar.
O levantamento não identificou a finalidade das novas construções. O turismo e a instalação de usinas hidrelétricas, porém, foram apontados como possíveis fatores para a expansão recente nos vales das altas montanhas.
Risco de enchentes
O rápido aquecimento do Himalaia aumenta a exposição a inundações. As enchentes de agosto, que mataram milhares de pessoas no Nepal e no Tibete, parecem ter alcançado 50 metros de altura ou mais em alguns locais.
Os desastres podem ser desencadeados por chuvas intensas de monção, terremotos e avalanches que lançam grandes rochas em lagos formados pelo derretimento de geleiras. A água pode carregar sedimentos e detritos pelos vales, formando uma massa de lama capaz de atingir cidades e comunidades abaixo.
Scott Watson, pesquisador da Universidade de Leeds e principal autor do estudo, afirmou que durante muito tempo foi difícil estimar quantos edifícios estavam em áreas de risco no Himalaia. As imagens de satélite não cobriam completamente as regiões montanhosas.
Os pesquisadores combinaram um conjunto de dados do Google, com informações sobre a área ocupada por edificações em todo o mundo entre 2016 e 2023, com mapas topográficos. Antes, verificaram que os dados correspondiam de forma satisfatória a outras imagens de satélite do Nepal.
Com base nas tendências demográficas recentes, o estudo estima que o número de pessoas vivendo nessas áreas poderá crescer 6% entre 2015 e 2030. Watson disse que elaborar estimativas semelhantes aos chamados eventos de cem anos e de 500 anos continua sendo um “grande desafio” no Himalaia, devido à imprevisibilidade da paisagem e das inundações.



