SÃO PAULO — As montadoras de caminhões e ônibus produzidos no Brasil planejam intensificar a busca por mercados no exterior diante da queda nos embarques para destinos onde os veículos nacionais tinham presença consolidada. A Anfavea, associação do setor, informou que pretende retomar conversas em Brasília para estabelecer novos acordos comerciais ou reabrir negociações com países vizinhos em 2027.
A entidade avalia que os acordos bilaterais mantidos pelo Brasil por meio do Mercosul, incluindo o México e outros mercados regionais, não foram suficientes para devolver os embarques a níveis considerados robustos. Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, o país também precisa reduzir a dependência da demanda argentina. "Em 2027, um dos trabalhos que a Anfavea vai ter que fazer é ir atrás de novos mercados", disse.
A concorrência com fabricantes asiáticos já afeta mercados antes considerados cativos para os veículos pesados brasileiros. Embora o segmento ainda conte com barreiras fiscais que não existem da mesma forma entre veículos leves, essas medidas não impediram a disputa entre marcas locais e chinesas.
Exportações em queda
De janeiro a setembro, o Brasil exportou 17 mil caminhões, recuo de 21,3% ante 2025. Em setembro, foram embarcados 2.100 veículos, queda de 23% na comparação anual e de 6,3% em relação a agosto.
As exportações de ônibus diminuíram 32,6% no acumulado de janeiro a setembro de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025. Foram enviados 3,5 mil chassis ao exterior. Apenas em setembro, houve 354 embarques, uma redução de 47,7% ante o mesmo mês do ano anterior e de 28,3% sobre agosto, quando foram registrados 494 embarques.
A retração também levou a Anfavea a revisar as projeções para o setor. A estimativa para a produção de veículos pesados passou de uma queda de 6%, prevista em junho, para um declínio de 8,2% na comparação com o volume produzido em 2025.
Para as exportações, a entidade agora projeta retração de 18,7%, com 27,2 mil unidades. Em junho, a previsão era de queda de 11%.
A iniciativa ocorre em meio à perda de espaço dos modelos brasileiros para veículos chineses. Roberto Cortes, CEO da VWCO, afirmou em maio, durante o evento Anfavea Visions, realizado em São Paulo, que essa mudança já atingiu mercados anteriormente considerados cativos.
A VWCO completou neste ano 45 anos de operações de exportação e já embarcou mais de 200 mil unidades para a América do Sul, a África e o Oriente Médio. No segmento de ônibus urbanos, Higer e Zhongtong anunciaram intenções de investir no mercado brasileiro. Na América Latina, marcas asiáticas também disputam espaço com Scania, Volvo e Mercedes-Benz, que têm fábricas no Brasil.



