LONDRES E NOVA YORK — A emissão global de dívida ligada à inteligência artificial caiu para US$ 23 bilhões (RS 114,79 bilhões) em setembro, menos da metade do valor captado no mês anterior. Os dados do Morgan Stanley incluem títulos públicos e operações de colocação privada.
O volume vem recuando desde junho, quando empresas levantaram o recorde de US$ 113 bilhões (R$ 564 bilhões) para financiar infraestrutura como data centers e chips. No mercado americano de títulos com grau de investimento, grupos de tecnologia captaram cerca de US$ 306 bilhões (R$ 1,5 trilhões) entre janeiro e agosto, mas não houve emissão relacionada à IA no mês passado.
O Morgan Stanley atribuiu a redução principalmente ao elevado volume de dívida levantado no começo do ano. Ao mesmo tempo, investidores passaram a questionar se os aportes necessários para a expansão da tecnologia terão retorno no longo prazo. A construção de data centers também enfrenta oposição política crescente.
“O financiamento efetivo do dia a dia está ficando um pouco mais complicado”, disse John Aylward, fundador da Sona Asset Management. Para ele, os investidores estão sendo mais rigorosos na análise das operações.
Endividamento e novas operações
Empresas captaram até agora US$ 466 bilhões (R$ 2,3 trilhões) em dívida vinculada à IA em 2026, segundo o Morgan Stanley. No mesmo período do ano passado, o volume havia sido de US$ 101 bilhões (R$ 504 bilhões). A oferta permitiu que investidores de crédito exigissem rendimentos maiores em determinados projetos, elevando os custos de captação dos hiperescaladores.
A mudança de postura deverá ser testada por operações para financiar a compra de chips avançados. Bancos de Wall Street estão estruturando um pacote de US$ 60 bilhões para a Broadcom e a Anthropic. A SpaceX negocia US$ 40 bilhões (R$ 199 bilhões) para comprar chips da Nvidia. As duas operações devem ser distribuídas a investidores nos próximos meses.
Nos Estados Unidos, moradores passaram a se opor a data centers por temerem efeitos sobre o abastecimento de água e a qualidade do ar. O campus da Oracle no Novo México, chamado “Project Jupiter”, está no centro de uma dessas disputas.
Cerca de US$ 18 bilhões (quase R$ 90 bilhões) em empréstimos vinculados ao projeto enfrentaram pressão adicional depois que a Oracle emitiu uma notificação de força maior devido a dificuldades para obter acesso à eletricidade. Nos últimos dias, os empréstimos foram cotados privadamente a cerca de US$ 0,85 por dólar.
Jordan Rieger, da Monarch Alternative Capital, afirmou que a desaceleração pode dar aos investidores de dívida tempo para reavaliar o risco de crédito. Rob Dafforn, da Polus Capital, disse que a especulação e as operações altamente alavancadas levaram alguns investidores a pagar mais do que deveriam.
A Polus começou a mapear operações de financiamento relacionadas à IA, mas Dafforn ainda não fez investimentos. Para Rieger, a velocidade da expansão do setor aumenta o risco de que os mercados de crédito estejam construindo novas estruturas enquanto a tecnologia avança.



