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Dívida da inteligência artificial chega a US$ 500 bilhões em nove meses

Emissões para financiar chips, servidores e data centers pressionam os juros e elevam o risco de correção nos mercados.

Dívida da inteligência artificial chega a US$ 500 bilhões em nove meses
Foto: AFP

Empresas ligadas à inteligência artificial emitiram cerca de US$ 500 bilhões (R$ 2,49 trilhão) em dívida nos nove meses desde janeiro, depois de quase não recorrerem a esse mercado em 2024. O dinheiro financia chips, servidores e data centers usados na expansão do setor.

Os recursos gerados por Google, Meta, Amazon e Microsoft já não bastam para cobrir os investimentos. O Goldman Sachs prevê que a emissão de dívida do setor chegue a US$ 1,2 trilhão (R$ 5,98 quatrilhão) em 2027.

Chris Della Fave, da consultoria Post Oak, estima que a inteligência artificial responda por 25% das emissões de títulos privados, ante 4% há dois anos. Ele descreve o ritmo de crescimento como algo sem precedentes.

Pressão sobre os juros

O mercado de títulos tem absorvido o volume de papéis, mas as empresas precisam pagar mais para atrair compradores. A Meta ofereceu juros superiores a 7% ao ano, enquanto algumas companhias especializadas em data centers ultrapassaram 9%.

A maior oferta de títulos aumenta a disputa pelo dinheiro dos investidores e eleva os retornos exigidos de quem toma empréstimos. Mark Malek, responsável por investimentos na Siebert Financial, afirma que um investidor pode trocar um título do Tesouro por uma dívida da Microsoft. Essa migração pressiona as taxas de endividamento do governo dos Estados Unidos.

A inflação também contribui para a alta dos juros soberanos americanos. A taxa do título do Tesouro dos Estados Unidos com prazo de 10 anos, referência em Wall Street, está em torno de 5,3%, o maior nível desde 2002. Entre os fatores citados estão a guerra contra o Irã e os preços elevados da energia.

Fundos especulativos chegaram a concentrar 7% dos títulos do Tesouro em circulação no fim de 2025. Como conseguem mudar seus investimentos mais rapidamente que seguradoras e fundos de pensão, podem reforçar a transferência de recursos entre dívidas pública e privada.

Risco de correção

Uma desaceleração do desenvolvimento de infraestrutura, atrasos em obras ou receitas abaixo do esperado pode provocar um ajuste nas avaliações de ações e títulos ligados à inteligência artificial. No fim de setembro, o Banco da Inglaterra apontou um risco de correção mais acentuado que em julho, quando o Nasdaq recuou cerca de 7%.

A Oracle é acompanhada como possível indicador do setor. A empresa tem dívida de R$ 623 bilhões, redução do caixa a cada trimestre e um possível atraso no calendário de um projeto de centro de dados no Novo México. Para Malek, um problema que impedisse a Oracle de pagar um vencimento poderia gerar contágio em toda a dívida da inteligência artificial.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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