TÓQUIO — O fundador do SoftBank, Masayoshi Son, negocia com investidores do Golfo Pérsico uma captação de até US$ 100 bilhões (R$ 502,4 bilhões) para ampliar os investimentos do grupo em inteligência artificial. Nas últimas semanas, ele conversou com autoridades e executivos dos Emirados Árabes Unidos sobre a possível operação, segundo pessoas a par das tratativas.
A proposta prevê a criação de um fundo para comprar empresas e aplicar inteligência artificial e outras tecnologias avançadas em suas operações. A Roze, divisão do SoftBank dedicada à robótica e à inteligência artificial física, deverá ter papel central na estratégia. Son pretende levar a unidade à Bolsa com uma avaliação elevada.
Não há garantia de que as negociações com investidores do Golfo terão sucesso. O SoftBank não comentou. Representantes do fundo MGX e da holding de inteligência artificial G42, ambos de Abu Dhabi, também não responderam aos pedidos de comentário.
Apostas anteriores e pressão sobre o SoftBank
A possível captação ocorre depois de uma série de investimentos de grande porte em inteligência artificial. Entre eles está o aporte de US$ 65 bilhões (R$ 326,56 bilhões) na OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT.
O adiamento da oferta pública inicial de ações da OpenAI e as dúvidas sobre a exposição do SoftBank ao avanço da inteligência artificial fizeram alguns investidores reavaliarem a capacidade de Son de continuar direcionando recursos para o setor.
O executivo já havia recorrido a investidores do Golfo para financiar suas ambições. Em 2017, Mubadala, dos Emirados Árabes Unidos, e o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita participaram do primeiro Vision Fund do SoftBank, de US$ 100 bilhões.
O primeiro Vision Fund acumulou cerca de US$ 29 bilhões em ganhos com investimentos até o fim de junho. O Vision Fund 2, financiado principalmente pelo SoftBank e responsável pela participação na OpenAI, gerou US$ 20,5 bilhões.
A estratégia de financiamento também inclui empréstimos parcialmente garantidos pela participação do SoftBank na fabricante de chips Arm, além de recursos próprios. No mês passado, a empresa concluiu a maior emissão de títulos de alto risco já registrada, com rendimentos de até 9,75%, para levantar mais de US$ 11 bilhões (R$ 55 bilhões).
Avaliação e endividamento
A capacidade do SoftBank de captar por meio de dívida está ligada às avaliações registradas em seus balanços. O valor patrimonial líquido era de 72,3 trilhões de ienes (R$ 2,28 trilhões) no fim de junho, enquanto a relação entre empréstimos e valor dos ativos estava em 13%, abaixo do limite de 25% para as operações normais.
As ações do SoftBank acumulam alta de 25% no ano, mas recuaram mais de 30% desde o pico de junho. Na sexta-feira, caíram 5%, depois de a receita anualizada da OpenAI ficar cerca de US$ 20 bilhões abaixo do valor indicado pela empresa.
Executivos do SoftBank afirmam que oscilações de curto prazo nas avaliações da OpenAI e de outras empresas do portfólio não mudarão os planos de investimento. Analistas e pessoas próximas à companhia avaliam, porém, que uma queda no valor da OpenAI poderia criar dificuldades, porque parte relevante dos investimentos do grupo está ligada à empresa ou, de forma mais ampla, à inteligência artificial.
Son defendeu a tecnologia em julho ao dizer que “aqueles que condenam a IA estão cuspindo para cima”. Mais recentemente, afirmou que o uso da inteligência artificial por agentes “mal-intencionados” poderia torná-la “extremamente perigosa”.



