NOVA YORK — Os lucros das empresas que compõem o índice S&P 500 devem crescer 27% no terceiro trimestre, na comparação anual, impulsionados pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. A estimativa é do Goldman Sachs, que também prevê aumento de 12% na receita.
A temporada de resultados começa na próxima semana. Se a projeção se confirmar, será o terceiro trimestre consecutivo com expansão dos lucros acima de 25%. De acordo com Manish Kabra, do Société Générale, essa sequência não tem precedente fora de períodos de recuperação após crises financeiras.
O desempenho pode reduzir as preocupações dos investidores com a sustentabilidade da valorização das ações ligadas à IA em um ambiente de financiamento mais caro. Ainda assim, analistas apontam que o crescimento está concentrado em um grupo restrito de companhias de tecnologia.
As ações americanas encerraram a terça-feira (6) em nível recorde, apesar da venda de títulos do Tesouro americano iniciada em meados de agosto e acelerada depois que o Federal Reserve elevou os juros no mês passado pela primeira vez em três anos. Os custos de financiamento de longo prazo avançaram para o maior nível em mais de duas décadas, pressionando setores sensíveis aos juros, como financeiro, imobiliário e serviços públicos, além de empresas menores e consumidores.
Segundo a FactSet, os 11 setores do S&P 500 devem registrar crescimento dos lucros. A empresa também informou que 72 companhias do índice divulgaram projeções positivas para o terceiro trimestre, enquanto as previsões negativas estão no menor nível em cinco anos.
Tecnologia concentra expansão
A maior parcela do avanço deve vir das gigantes de tecnologia. A Micron registrou lucro líquido de US$ 37,7 bilhões (R$ 188,2 bilhões), ante US$ 3,2 bilhões (R$ 16 bilhões) um ano antes. Micron e Nvidia devem responder por mais de um terço da expansão total dos lucros do mercado no trimestre, segundo o Goldman Sachs.
Meta, Alphabet e Broadcom estão entre as empresas que sustentam o mercado acionário mais amplo. Algumas companhias ligadas à IA são simultaneamente clientes e investidoras de outras empresas do mesmo segmento, o que amplia a preocupação com a concentração do crescimento.
A participação de um conjunto restrito de ações no desempenho do mercado caiu ao menor nível desde a bolha das empresas de tecnologia no início dos anos 2000. Os investidores continuam direcionando recursos para papéis associados à IA.
Os investimentos em capital das chamadas hyperscalers, grandes empresas de tecnologia que operam infraestruturas de computação em nuvem, devem ter crescido a um ritmo anualizado de 116% no terceiro trimestre, acima da expansão de 87% no segundo trimestre, segundo analistas do Goldman Sachs.
A desaceleração desses investimentos poderia afetar a economia americana, de acordo com Tiffany Wilding, da Pimco. Nesse cenário, a resiliência econômica dependeria mais de ganhos de produtividade proporcionados pela IA substituírem rapidamente os gastos em perda de força.
As empresas americanas de energia também devem apresentar resultados elevados. A alta de 30% do petróleo WTI no terceiro trimestre elevou para 114% a previsão de crescimento dos lucros trimestrais das grandes companhias do setor, acima dos 79% estimados no fim de junho pela FactSet. Marathon Petroleum e Valero Energy estão entre as principais beneficiárias esperadas.



