O governo de Donald Trump suspendeu nesta quinta-feira (8) pedidos de certificação trabalhista permanente apresentados pela Microsoft, Adobe e outras empresas de tecnologia. A medida pode interromper uma das principais etapas para que profissionais estrangeiros obtenham green cards baseados em emprego nos Estados Unidos.
A suspensão também alcança Cognizant, Infosys, Tata Consultancy Services, Wipro, HCL Technologies e Capgemini, segundo o secretário do Trabalho, Keith Sonderling. "Não aceitaremos novos pedidos nem processaremos pedidos pendentes de certificação trabalhista permanente envolvendo essas empresas", afirmou.
O processo exige que os empregadores demonstrem que a contratação de estrangeiros não prejudica os salários, as condições de trabalho ou as oportunidades de emprego dos trabalhadores americanos. Depois da aprovação, os pedidos são encaminhados ao USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos).
A decisão não parece afetar diretamente pessoas que já têm vistos H-1B, usados para a contratação temporária de trabalhadores estrangeiros. Ela pode, porém, dificultar o caminho dessas pessoas para a residência permanente. Infosys, Tata Consultancy Services, Wipro, HCL Technologies e Cognizant estão entre as maiores usuárias desse tipo de visto há anos.
No ano fiscal de 2026, a Amazon foi a maior empregadora de beneficiários de vistos H-1B aprovados, seguida por Tata Consultancy Services, Infosys, Apple e Microsoft. A Microsoft também lidera o número de pedidos de certificação PERM, conforme dados reunidos pelo Permtrack.app a partir de informações do Departamento do Trabalho.
Universidades entram na investigação
O governo também abriu investigações sobre nove universidades, incluindo Harvard, Yale, Stanford, Brown e MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). O vice-presidente JD Vance afirmou que as instituições podem ter usado vistos J-1, destinados a visitantes de intercâmbio, para trazer estudantes internacionais e reduzir os salários de trabalhadores americanos.
O inspetor-geral do Departamento do Trabalho, Anthony D'Esposito, disse que intimações já foram entregues. A apuração deverá verificar se influência estrangeira, relações financeiras inadequadas ou abuso de vistos comprometeram pesquisas financiadas pelo governo federal.
A ofensiva ocorre após outras ações contra programas voltados a trabalhadores qualificados. Em setembro do ano passado, o Departamento do Trabalho lançou a operação de fiscalização Project Firewall. Uma proclamação da Casa Branca também estabeleceu uma taxa única de US$ 100 mil (R$ 501 mil) para novos pedidos de visto H-1B de trabalhadores contratados no exterior.
A disputa com Harvard inclui uma intimação emitida no ano passado pelo Departamento de Segurança Interna, que pediu documentos sobre possíveis irregularidades envolvendo estudantes internacionais e o cumprimento das leis federais de imigração. A universidade classificou a medida como uma "retaliação infundada", mas afirmou que cumpriria a determinação na medida exigida pela lei.
A Microsoft, a Adobe, a Cognizant, a Infosys, a HCL Technologies, a Wipro e a Capgemini não responderam. A Tata Consultancy Services se recusou a comentar. O presidente-executivo da Microsoft, Satya Nadella, esteve em uma cúpula sobre inteligência artificial na Casa Branca em 29 de setembro.



