Uma rede de sites que simulam plataformas de apostas promete retornos de até R$ 3.000 após depósitos de R$ 20 a R$ 30, mas impede o resgate dos valores exibidos. A estrutura foi identificada pela ZenoX, empresa brasileira de cibersegurança, na investigação chamada Saque Fantasma.
O golpe começa com anúncios e abordagens em redes sociais. Uma publicação localizada no Instagram orientava o usuário a acessar um link, criar uma conta, fazer um Pix de R$ 20 e enviar o comprovante e a chave Pix para receber R$ 2.000. A operação também usava Instagram e Telegram para divulgação e atendimento. Uma conta ligada ao esquema no TikTok tinha mais de 126 mil seguidores e 2,5 milhões de curtidas.
Depois do depósito, o usuário acessava uma interface com jogos, saldo e registros de saques supostamente realizados. O site também exibia uma lista de “últimos saques”, com nomes parcialmente ocultos e valores elevados, para reforçar a aparência de uma plataforma legítima.
Na tentativa de retirar o saldo, a vítima era informada de que deveria pagar uma taxa de R$ 30. O QR Code da cobrança podia ser criado pelo próprio navegador do usuário, conforme a análise do código. O sistema, porém, não confirmava o pagamento, e o saque continuava com o status “Pagamento da Taxa Pendente”.
Dados encontrados nas plataformas
Em uma das bases examinadas, havia 415 contas e 231 transações de depósito. Entre essas operações, 92% correspondiam a valores de R$ 20 a R$ 30, e 68% continuavam pendentes, sem devolução. O painel interno indicava R$ 107.519 acumulados nas contas desde dezembro de 2025. Ao todo, 157 das 231 transações estavam pendentes.
A ZenoX também encontrou uma plataforma chamada NEWWBET7K com mais de 3.600 contas. Os registros expostos incluíam nomes, emails e telefones. A empresa afirma que essas informações podem ser usadas em novas tentativas de fraude contra as próprias vítimas.
Os domínios MAXXBET7K, MAXBTT7K e NEWWBET7K foram associados à mesma operação. A avaliação considerou semelhanças no código, na infraestrutura, no funcionamento e no sistema de cobrança. A identidade dos responsáveis não foi confirmada.
A ZenoX acessou a estrutura interna após localizar credenciais de produção no código público do site. Também encontrou uma falha que permitia elevar os privilégios de uma conta durante o cadastro.
A operação ocorre após a proibição das bets no país, determinada pelo governo em 25 de setembro. Antes disso, apenas empresas autorizadas pela SPA (Secretaria de Prêmios e Apostas) podiam atuar nacionalmente. Os sites autorizados usavam o domínio “.bet.br”, formato que não aparecia nas plataformas analisadas.
Como agir após o depósito
A recomendação da ZenoX é não enviar mais dinheiro. Cobranças apresentadas como taxa de saque, verificação, depósito mínimo ou condição para liberar o saldo devem ser tratadas como parte do golpe.
A orientação é guardar comprovantes dos Pix, com data, valor e chave recebedora; capturas das conversas, páginas e perfis usados na abordagem; registros das transações mostradas pelo site; além de links e publicações relacionados à falsa plataforma.
A empresa recomenda denunciar o caso nos canais adequados e reportar os perfis e conteúdos às redes sociais. Também orienta acompanhar novos domínios e contas que repitam a oferta de depósitos pequenos em troca de retornos altos, já que a rede pode substituir sites e perfis retirados do ar.



