Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi o candidato mais votado no primeiro turno das eleições presidenciais nos dez municípios brasileiros que tiveram as maiores perdas relativas de empregos formais em um ano. O resultado aparece em um cruzamento entre dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego.
A análise considera municípios com mais de 10 mil trabalhadores com carteira assinada. Nas dez cidades com maior redução proporcional, Flávio recebeu mais de 45% dos votos válidos em todas elas. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e os demais candidatos ficaram atrás.
Municípios com maior queda
Barra do Garças (MT) registrou a maior redução proporcional entre os municípios avaliados: 11,5% negativos. O estoque de empregos formais caiu de 17,3 mil em agosto de 2025 para 15,3 mil em agosto de 2026, segundo os dados mais recentes disponíveis no Caged.
Também fazem parte da lista Catanduva (SP), Barra Bonita (SP), Paranaíba (MS), Panambi (RS), Sabará (MG), Ouro Branco (MG), Poá (SP), Matozinhos (MG) e Jaboticabal (SP).
Em 2022, Lula havia vencido Bolsonaro no primeiro turno em quatro dessas cidades: Poá, Sabará, Ouro Branco e Matozinhos. Na eleição de 2026, Flávio passou à frente em todos os dez municípios analisados.
Analistas afirmam que os dados não permitem concluir que a situação do emprego tenha determinado o voto. Para Rodolpho Tobler, economista do FGV Ibre, o mercado de trabalho pode funcionar como um indicador da situação econômica local. "Tem uma questão que é o voto econômico, e o mercado de trabalho acaba sendo uma variável muito importante como termômetro da economia de uma cidade", disse.
Tobler afirmou que o país apresentou recuperação nos indicadores de emprego e renda nos últimos anos, mas que esse movimento pode ter ocorrido de forma desigual entre os municípios. A análise reuniu 652 cidades com mais de 10 mil empregos com carteira em agosto, recorte usado para reduzir o impacto que o fechamento de uma única empresa poderia causar em municípios pequenos.
Bruno Imaizumi, economista da consultoria 4intelligence, relacionou o resultado ao conceito de aversão a perdas, segundo o qual uma perda econômica tende a ser percebida com mais intensidade do que um ganho equivalente. "A criação de 10 mil empregos, por exemplo, não necessariamente vai produzir um efeito eleitoral. Mas a destruição de 10 mil empregos pode ter, sim, um efeito mais relevante", afirmou.
Cidades com maior geração de vagas
Flávio também venceu em seis dos dez municípios que mais geraram empregos formais no período. Foram eles Inocência (MS), Itaboraí (RJ), Garça (SP), Osasco (SP), Niquelândia (GO) e Navegantes (SC).
Lula foi o mais votado nos outros quatro: Bacabal (MA), Itaitinga (CE), Lagarto (SE) e Franco da Rocha (SP). Em 2022, Bolsonaro havia vencido em cinco dessas cidades, e Lula, nas outras cinco. Osasco foi a única a trocar a maior parcela dos votos do petista pelo bolsonarismo: Lula havia vencido Bolsonaro em 2022, mas ficou atrás de Flávio em 2026.
Durante a campanha, o PT destacou indicadores econômicos positivos desde 2023, incluindo emprego e renda, além do reajuste do salário mínimo acima da inflação e da defesa do fim da escala 6x1. Flávio enfatizou os preços dos alimentos e o endividamento das famílias.
Nos planos de governo, Flávio prometeu jornadas flexíveis, redução do custo do trabalho sem retirada de direitos, prioridade para beneficiários de programa social e contratos específicos para jovens de 18 a 24 anos e pessoas com 50 anos ou mais desempregadas há pelo menos 12 meses. Lula propôs manter a política de valorização do salário mínimo, combater a pejotização espúria, proteger trabalhadores da economia digital e defender o fim da escala 6x1, com jornada de 40 horas sem redução salarial.



