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Índia precisa criar 7,8 milhões de empregos por ano para absorver jovens

País tem cerca de 370 milhões de pessoas entre 15 e 29 anos e busca transferir trabalhadores da agricultura para a indústria e os serviços.

Índia precisa criar 7,8 milhões de empregos por ano para absorver jovens
Foto: André Borges/Folhapress

A Índia precisa criar 7,8 milhões de empregos por ano, fora da agricultura, até 2030 para absorver sua crescente população em idade de trabalhar. O país tem cerca de 370 milhões de jovens entre 15 e 29 anos, grupo equivalente a quase dois Brasis.

Com quase 1,5 bilhão de habitantes em um território equivalente a 38% da dimensão do Brasil, a Índia transformou a juventude em uma vantagem conhecida como dividendo demográfico. O Ministério das Finanças reconhece, porém, que lidar com essa escala é o principal desafio do país.

A economia indiana cresce acima de 7% ao ano. O PIB quase dobrou, de US$ 2 trilhões em 2014 para US$ 3,9 trilhões em 2025, enquanto a renda por habitante avançou 74%. Ainda assim, o crescimento não eliminou a dificuldade de incorporar trabalhadores à indústria e aos serviços.

Agricultura, indústria e qualificação

A agricultura concentra 46% da força de trabalho indiana, embora responda por menos de 20% da renda nacional. O governo tenta deslocar gradualmente essa mão de obra para atividades mais produtivas, mas o país ainda precisa ampliar sua base industrial. “É necessário fechar toda a cadeia de manufatura aqui com semicondutores, precisamos ter fábricas”, disse V. Kamakoti, diretor do IIT Madras.

A desigualdade entre homens e mulheres também limita a participação no mercado. As mulheres representam metade da população, mas respondem por apenas 30% das 562,1 milhões de pessoas ocupadas.

O acesso à formação técnica é restrito. Cerca de 1,5 milhão de jovens disputam anualmente 20 mil vagas nos institutos de tecnologia. Para quem não consegue ingressar, a falta de qualificação e de domínio do inglês pode levar à informalidade ou ao subemprego.

O IIT Madras criou um bacharelado online voltado à tecnologia, sem vestibular tradicional, que já atendeu 50 mil estudantes. Mais de 10 mil deles estão quase na linha da pobreza extrema, segundo Kamakoti.

Jovens fora do trabalho e dos estudos

A desocupação geral está em 5,1%, mas chega a 9,9% entre pessoas de 15 a 29 anos. Nas cidades, o desemprego alcançou 13,6% em 2025 e, entre as mulheres, chegou a 18,9%.

Os dados oficiais não incluem todos os jovens sem perspectivas de inserção, porque só é considerado desempregado quem procura uma vaga. Em 2025, um em cada quatro indianos de 15 a 29 anos não trabalhava, não estudava nem recebia treinamento profissional. Entre as jovens, a proporção era de 42%.

A projeção do Ministério de Estatística e Implementação de Programas indica que a Índia ainda terá cerca de 345 milhões de jovens em 2036. Por isso, o desafio não deve desaparecer com uma eventual redução da natalidade.

A língua é outra barreira. A Constituição reconhece 22 idiomas, além de centenas de dialetos. O inglês funciona como ponte entre diferentes regiões e ajuda parte dos trabalhadores a acessar a economia global, mas não é dominado por muitos indianos das camadas mais pobres.

Entre 2013 e 2023, 248 milhões de pessoas deixaram a situação de pobreza. Ainda assim, cerca de 11% da população, ou quase 160 milhões de pessoas, permanecia nessa condição em 2023. O governo de Narendra Modi estabeleceu como metas chegar à pobreza zero em 20 anos e alcançar a chamada Índia desenvolvida em 2047, centenário da independência do domínio britânico.

A busca por renda já leva trabalhadores a combinar empregos. Nande Kumar, de 32 anos, trabalha durante a semana em uma multinacional de serviços financeiros e dirige para a Uber aos sábados e domingos. Casado e pai de dois filhos, ele diz que precisa complementar o salário e pretende continuar trabalhando sete dias por semana para guardar dinheiro e pagar dívidas.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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