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Terras raras: 18 grupos estrangeiros mapeiam projetos de R$ 17,5 bilhões no Brasil

Empresas de Austrália, Canadá, Estados Unidos e Ilhas Marshall atuam em diferentes fases de pesquisa, mineração e processamento no país.

Terras raras: 18 grupos estrangeiros mapeiam projetos de R$ 17,5 bilhões no Brasil

Pelo menos 18 empresas internacionais mantêm processos minerários para pesquisar ou explorar terras raras no Brasil. Os projetos somam mais de US$ 3,5 bilhões, ou R$ 17,5 bilhões, considerando investimentos já realizados e estimativas iniciais para implantação.

A compra da Meteoric Resources pela australiana Lynas, anunciada no fim de setembro, é o movimento mais recente. O acordo, avaliado em R$ 3,5 bilhões, envolve a exploração de terras raras no sul de Minas Gerais.

A operação ocorreu menos de um mês depois de a americana USA Rare Earth concluir a aquisição da mina Serra Verde, em Goiás, a primeira do país a explorar esses minerais. A Austrália concentra pelo menos 11 dos 18 grupos identificados. Canadá e Estados Unidos têm três empresas cada, além de uma companhia constituída nas Ilhas Marshall.

Os empreendimentos estão em fases distintas. Há empresas que ainda coletam amostras e realizam sondagens para avaliar a viabilidade dos depósitos, enquanto outras operam instalações de teste ou já produzem comercialmente. Parte dos R$ 17,5 bilhões estimados depende de licenças, financiamento e confirmação da viabilidade técnica.

Projetos em diferentes estágios

O empreendimento mais avançado é o Serra Verde, em Minaçu (GO). A mina recebeu licença ambiental de operação em 2023 e começou a produzir comercialmente em 2024. Segundo a USA Rare Earth, o projeto já recebeu mais de US$ 1 bilhão em investimentos e produz concentrado de terras raras usado na indústria de ímãs.

A Serra Verde informou que não exporta minério bruto e que opera uma mina e uma planta integrada de processamento em Minaçu, onde produz Carbonato Misto de Terras Raras. A empresa afirmou que novas etapas dependerão de tecnologia, capital, escala, regulamentação favorável e condições econômicas competitivas.

A canadense Aclara estima US$ 781 milhões para seu projeto em Nova Roma (GO) e mantém uma planta-piloto em Aparecida de Goiânia. A companhia também tem unidades próprias nos Estados Unidos para separar os elementos e produzir metais e ligas.

Na Bahia, a australiana Brazilian Rare Earths prevê US$ 969 milhões para o empreendimento integrado Monte Alto–Camaçari até a primeira produção de óxidos. Em setembro, a empresa anunciou o funcionamento da primeira etapa de sua planta-piloto em Camaçari, com produção de concentrado mineral. A fase de tratamento químico e separação está prevista para 2027.

Em Poços de Caldas, a australiana Viridis obteve licença prévia para seu projeto e teve aprovado financiamento de R$ 77,5 milhões do BNDES para um centro de pesquisa e processamento de terras raras.

Também há atividades de mapeamento, coleta de amostras, sondagens e testes em áreas de Minas Gerais, Goiás, Bahia, Amazonas, Tocantins e Piauí.

Processamento e política industrial

As terras raras são usadas na fabricação de ímãs de alto desempenho para motores de carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa. Depois da produção de um concentrado, os elementos precisam ser separados e transformados em metais, ligas e produtos industriais. Essas etapas concentram a maior parte do valor da cadeia.

O governo federal pretende manter no país parte da industrialização e reduzir a dependência da venda de commodities. O Projeto Caldeira, que passou a ser conduzido pela Lynas, é apontado como o principal empreendimento para testar essa estratégia.

No fim do mês passado, o MME informou que o Brasil receberá a primeira grande planta industrial de separação e processamento de minerais críticos e estratégicos. O anúncio ocorreu 15 dias depois da sanção, pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

Até agora, porém, o negócio entre Meteoric e Lynas não formaliza a instalação de uma indústria no país. A empresa declarou apenas que pretende avaliar o potencial para desenvolver atividades de separação de terras raras no Brasil.

O MME informou que mantém diálogo institucional com as empresas envolvidas. Em 16 de setembro, o ministro Alexandre Silveira recebeu representantes da Meteoric, que apresentaram o objetivo de implantar uma indústria de separação no Brasil usando a tecnologia da Lynas na Malásia.

Para Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc, a aplicação da nova política dependerá das regras de regulamentação. Ela afirmou que a legislação prevê instrumentos e estímulos para evitar que os minerais sejam apenas extraídos e exportados e para ampliar a cadeia de valor no país.

A lei autoriza a criação de um fundo garantidor com participação da União de até R$ 2 bilhões. Também prevê até R$ 1 bilhão por ano em créditos fiscais entre 2030 e 2034 para processamento, transformação e recuperação de minerais de resíduos.

O MME afirmou que o avanço dos projetos deve combinar incentivos e instrumentos regulatórios. Segundo a pasta, o Conselho Nacional dos Minerais Críticos deverá estimular etapas de beneficiamento, processamento, separação, refino e transformação no Brasil, inclusive por meio de parcerias entre mineradoras e empresas com tecnologia e capacidade industrial.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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