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BNDES avalia crédito e participação em projeto de terras raras em Minas Gerais

Projeto Caldeira, da Meteoric Resources, prevê planta de processamento no Brasil e investimento estimado em US$ 498 milhões.

BNDES avalia crédito e participação em projeto de terras raras em Minas Gerais
Foto: Folhapress

O BNDES negocia financiamento para o Projeto Caldeira, empreendimento de terras raras previsto para o sul de Minas Gerais. A operação pode incluir uma participação minoritária do BNDESPar, braço de participações do banco, mas a concessão de crédito é a etapa mais avançada das tratativas.

O projeto é conduzido pela australiana Meteoric Resources, que foi adquirida nesta semana pelo grupo australiano Lynas em uma transação de aproximadamente R$ 3,5 bilhões. O negócio entre as empresas ainda precisa ser considerado na análise do BNDES, já que houve mudança no controle da companhia responsável pelo empreendimento.

O estudo de viabilidade estima em US$ 498 milhões, cerca de R$ 2,6 bilhões, o valor necessário para desenvolver a planta. Ainda não há definição sobre quanto seria financiado pelo banco nem prazo para a conclusão da análise.

Negociações e estrutura do projeto

As conversas do BNDES com a Meteoric começaram antes da aquisição pela Lynas. A iniciativa está ligada a uma chamada pública do BNDES e da Finep para a industrialização de minerais estratégicos, lançada em janeiro de 2025.

O Projeto Caldeira está entre os dez empreendimentos mais avançados da carteira do programa. Em junho de 2025, foram selecionados 56 planos de negócios, que reuniam R$ 45,8 bilhões em investimentos apresentados pelas empresas.

Em 17 de setembro, representantes da Meteoric e da Lynas se reuniram no Rio de Janeiro com diretores do BNDES. A aquisição foi oficializada em 30 de setembro, na bolsa da Austrália.

O banco declarou que “não comenta operações não aprovadas”. A Meteoric afirmou que “mantém, desde o início do Projeto Caldeira, diálogo institucional com as diferentes partes interessadas, pautado pela transparência e pelo compromisso com o desenvolvimento do projeto”.

A Lynas informou que pretende avaliar alternativas para financiar o desenvolvimento do projeto, incluindo financiamento estratégico, financiamento de projetos e recursos próprios. A entrada do grupo pode facilitar a obtenção de crédito por sua capacidade financeira e de oferecer garantias, mas a habilitação e a estrutura societária apresentadas ao banco terão de ser revisadas.

Uma eventual participação do BNDES em uma sociedade brasileira controlada pela Lynas não faria do banco automaticamente um acionista da matriz australiana. O alcance desse possível investimento continua em discussão.

Exploração e processamento

O Projeto Caldeira prevê etapas industriais no Brasil para processar as terras raras, em vez de exportar apenas o minério concentrado. A Meteoric Caldeira Mineração tem endereço em Poços de Caldas e atua também em áreas de Andradas e Caldas.

A Meteoric obteve os direitos de exploração por meio de um acordo com a brasileira Togni Materiais Refratários, em dezembro de 2022. O projeto ainda precisa cumprir etapas de licenciamento antes da implantação e da operação comercial.

A Lynas já trabalha com mineração e processamento de terras raras na Austrália e na Malásia. No anúncio da aquisição, apresentou o processamento adicional no Brasil como uma possibilidade a ser avaliada.

As terras raras são usadas em motores de carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. A separação transforma o concentrado produzido na mina em materiais específicos, com características e pureza adequadas a diferentes aplicações. A fabricação de ímãs ocorre depois dessa etapa.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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