SÃO PAULO — O próximo governo federal deverá acelerar o combate ao desmatamento ilegal e transformar as decisões da COP30 e do Plano Clima em objetivos estratégicos, afirmou a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira. Para ela, as medidas são necessárias para preservar a relevância do Brasil no cenário internacional após as eleições de 2026.
Teixeira disse que o fim do desmatamento será importante para orientar a descarbonização de setores como indústria, agricultura e mineração. “O Brasil é o único país que tem emissões significativas de atividades não econômicas, de crime”, afirmou durante o Global Agribusinesse Festival (Gaffff), em São Paulo (SP).
Ministra durante o governo Dilma Rousseff, de 2010 a 2016, Teixeira é hoje copresidente do Painel Internacional de Recursos do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Na avaliação dela, os indicadores atuais refletem políticas públicas do governo Lula, em contraste com os resultados da gestão de Jair Bolsonaro (PL).
A ex-ministra afirmou que o país tem hoje as menores taxas de desmatamento da história, mas precisa manter a trajetória de queda. Ela também relacionou os grupos que atuam na destruição da Amazônia ao tráfico de drogas e de armas na região e ao garimpo ilegal. Para Teixeira, esse tipo de crime deve ser enfrentado com polícia, presença do Estado e regulação.
Petróleo e segurança energética
Sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas, Teixeira afirmou que o Brasil continuará produzindo petróleo e defendeu mudanças no modelo de royalties e compensações. Entre as possibilidades citadas estão a criação de fundos internacional, nacional e soberano para financiar o desenvolvimento da Amazônia e do país.
Ela também defendeu transparência na destinação dos royalties, que financiam o SUS e a educação, e uma redução progressiva da dependência de derivados de petróleo. Na avaliação da ex-ministra, a produção de petróleo pode coexistir, no curto prazo, com a matriz elétrica renovável do país.
Segundo Teixeira, a matriz energética global era 88% dependente de petróleo quando as discussões climáticas começaram e hoje ainda tem dependência de 80%. Ela afirmou que a decisão sobre explorar petróleo na Foz do Amazonas cabe ao governo e disse confiar na tecnologia e na regulação ambiental brasileiras para garantir a segurança necessária.
COP30 e próximas conferências
Teixeira afirmou que a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris não enfraqueceu politicamente a COP30. Para ela, a presidência da conferência deslocou o foco das negociações para uma agenda de ação que inclui governadores, prefeitos e empresas.
A COP31, segundo a ex-ministra, será realizada em formato híbrido, na Turquia e na Austrália. O encontro deverá avançar em temas definidos na COP30, como a transição justa — apoio a trabalhadores e comunidades afetados pela saída dos combustíveis fósseis — e o financiamento.
A conferência também preparará a COP32, na Etiópia, que deverá tratar de adaptação e dos recursos necessários para a realização do encontro, a partir de uma nova agenda global sobre o tema.



