RIO DE JANEIRO — O governo Luiz Inácio Lula da Silva realiza nesta quarta-feira (7) um leilão de áreas para exploração e produção de petróleo. A Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) oferece 13 blocos no pré-sal e 313 fora dele.
A rodada representa a maior oferta de áreas do pré-sal desde o início do modelo atual de leilões da ANP, em 2022. Se todos os blocos forem concedidos, a arrecadação com bônus de assinatura poderá chegar a R$ 1,24 bilhão. No pré-sal, vence a disputa a empresa ou o consórcio que oferecer ao governo a maior parcela da produção futura, já que o bônus é fixo.
Dezenove empresas estão inscritas nessa etapa, entre elas a Petrobras, Exxon, Chevron, TotalEnergies e Shell. O geólogo Pedro Zalán classificou os 13 blocos em três grupos conforme o potencial de interesse das petroleiras. Três áreas têm grande potencial, seis foram consideradas de atratividade média e quatro, de pequeno interesse. A avaliação considera fatores como proximidade de campos produtores, descobertas, indícios de petróleo, presença de CO₂ e distância de áreas já exploradas.
Blocos fora do pré-sal
A segunda etapa reúne 313 áreas em nove bacias sedimentares nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Há blocos em terra em cinco bacias e áreas em águas profundas ou ultraprofundas nas outras quatro. Quarenta e seis empresas estão inscritas, incluindo a Petrobras, grandes companhias globais e petroleiras especializadas em áreas terrestres.
Na margem equatorial, a única bacia incluída é a do Ceará. Não há blocos na bacia da Foz do Amazonas. Também estão previstas áreas marítimas nas bacias do Espírito Santo, Campos e Santos. A bacia terrestre de Tacutu, na fronteira entre Brasil e Guiana, participa pela primeira vez de um leilão da ANP.
Questionamentos ambientais
A organização Arayara questiona o leilão na Justiça por suposta sobreposição com territórios quilombolas e indígenas. Na semana passada, a entidade entrou com ação civil pública para suspender a oferta de 15 áreas na bacia do Parnaíba, no Maranhão.
Nesta segunda, a ANP retirou cinco blocos previstos para a bacia por erro nos recortes de delimitação, relacionado a critérios socioambientais. As áreas serão reavaliadas para possível inclusão em leilões futuros. A Fundação Cultural Palmares analisa o caso, e sua área técnica também considera que áreas devem ser retiradas.
O Observatório do Clima afirma que 280 das 318 áreas oferecidas têm sobreposição com áreas relevantes para a conservação da biodiversidade. A organização também critica a oferta de novas reservas de petróleo enquanto o governo não avança na elaboração de um mapa para reduzir o consumo de combustíveis fósseis. “Não é de modo algum o que acontecerá no dia 7 de outubro”, afirmou, em nota.



