SÃO PAULO — A Justiça de São Paulo determinou que o Grupo SHC comprove que seu principal estabelecimento está na capital paulista para que o pedido de recuperação judicial continue no estado. As sedes das 44 empresas incluídas no processo ficam no Rio de Janeiro.
A decisão é da juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital. O pedido foi protocolado nesta semana e envolve dívidas de R$ 239,5 milhões. O grupo terá 15 dias para apresentar documentos; caso contrário, o processo poderá ser enviado à Justiça do Rio de Janeiro.
O SHC, representante da JAC Motors no Brasil, afirma que seu centro de comando está na zona norte da capital paulista. Segundo a empresa, desse endereço partem a administração, a gestão financeira e as principais decisões do grupo.
A juíza avaliou, porém, que os documentos apresentados não sustentam essa versão e apontam para o Rio de Janeiro. Todas as 44 sociedades têm sede estatutária naquele estado, enquanto o endereço paulista abriga apenas filiais de três empresas. As atas de assembleias e os documentos assinados pelos representantes também registram atos realizados no Rio.
“A mera alegação, desacompanhada de prova, não basta para afastar esses elementos documentais”, escreveu a magistrada.
A análise dos pedidos de urgência e dos requisitos para o processamento da recuperação foi adiada. Essa etapa pode suspender por 180 dias as cobranças contra a empresa. O grupo também pediu que as 44 empresas fossem tratadas como um único devedor, com ativos e dívidas reunidos em um plano de pagamento. Esse pedido será examinado posteriormente.
Segunda recuperação judicial
Esta é a segunda vez que o grupo controlado por Sergio Habib recorre à recuperação judicial. O primeiro processo começou em 2018, com dívidas de R$ 517,7 milhões, e foi encerrado em maio de 2025.
Na ocasião, a empresa relacionou a crise à retração do mercado, às restrições para importação associadas ao programa Inovar-Auto e ao encerramento de uma parceria de 28 anos com a Citroën.
No ano passado, a JAC emplacou 988 automóveis e comerciais leves, uma queda de 51,1% ante os 2.022 veículos de 2024. De janeiro a julho deste ano, foram 346 emplacamentos, 43,8% abaixo do registrado no mesmo período de 2025. Em setembro, a marca vendeu 118 comerciais leves, dos quais 111 eram de um modelo de caminhão leve elétrico.
Dois fundos de investimento em direitos creditórios apresentaram petições no processo: o da Indústria Exodus Institucional, com sua gestora, a Nova SRM, e o Hope I. O Banco Volkswagen também aparece como interessado.


