SÃO PAULO — Marcelo Kayath, cotado para o Ministério da Fazenda em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), enfrenta resistência entre apoiadores do candidato. O desconforto está ligado ao apoio anterior a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), às críticas feitas à gestão de Paulo Guedes e à exposição recente de propostas para a economia.
Ex-executivo do Credit Suisse e atual sócio da gestora QMS Capital, Kayath se aproximou de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e passou a apoiar Flávio nesta eleição. Ele organizou encontros do candidato com banqueiros, investidores e empresários, incluindo um jantar em sua residência, em São Paulo.
Críticas a Guedes e ao governo Bolsonaro
Em julho de 2021, Kayath avaliou que “a Faria Lima gosta de se iludir” ao comentar a atuação de Paulo Guedes no Ministério da Economia. Na mesma ocasião, afirmou que a recuperação econômica demoraria e que os problemas estruturais não haviam sido resolvidos.
Em 2022, Kayath declarou voto em Lula e participou de encontros com empresários em apoio ao petista. Também disse que o problema brasileiro era fiscal e avaliou que Bolsonaro oferecia mais riscos do que Lula nessa área.
Ao explicar sua posição, citou a condução econômica de 2003, quando Henrique Meirelles elevou os juros e Antonio Palocci produziu um superávit de 5,3%. Kayath afirmou ainda que Roberto Campos, presidente do Banco Central, sustentava os juros sem esforço fiscal suficiente. Na avaliação dele, um juro de 12% no fim de 2022 poderia quebrar o país.
O ex-banqueiro também declarou que a esquerda não tinha “monopólio do bem” e afirmou que Bolsonaro não era de direita, mas “maluco”.
Exposição antes do segundo turno
Nas entrevistas recentes, Kayath defendeu um choque de gestão, a redução do número de ministérios e uma reestruturação do Orçamento. Para ele, não bastaria cortar gastos. Também se posicionou contra a concentração da política econômica em um único ministro, modelo associado à expressão “Posto Ipiranga”, usada por Jair Bolsonaro para se referir a Guedes na campanha de 2018.
Kayath disse não ter discutido com Flávio uma eventual indicação para a Fazenda. Ainda assim, pessoas próximas à campanha avaliaram que ele se comportou como se já ocupasse o posto. A exposição de nomes e propostas é vista por aliados como uma fonte de desgaste antecipado.
A orientação entre os que acompanham a campanha é não discutir a composição de um eventual governo antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro. O foco, segundo esses relatos, deve ser a disputa eleitoral. Kayath não se manifestou sobre o desconforto até a publicação deste texto.



