SÃO PAULO — A Keeta anunciou a chegada a 21 novas cidades brasileiras, retomando a expansão da plataforma de entregas da chinesa Meituan após uma decisão da Justiça paulista contra cláusulas de exclusividade em contratos da 99Food com restaurantes parceiros.
A nova etapa terá foco em municípios fora dos grandes centros urbanos. Entre os locais escolhidos estão Sinop, Sorriso e Rondonópolis, no Mato Grosso; Rio Verde, em Goiás; Toledo, no Paraná; e Governador Valadares, em Minas Gerais.
Na primeira fase, a Keeta havia concentrado suas operações em 11 cidades paulistas, incluindo São Paulo, municípios da região metropolitana, Santos e São Vicente. A empresa está no mercado brasileiro há quase um ano e prevê investir R$ 5,6 bilhões no país em cinco anos.
“Retomar a expansão reflete nossas expectativas positivas em relação ao Brasil e o nosso compromisso de longo prazo com o país”, afirmou Danilo Mansano, vice-presidente da Keeta, em nota da companhia.
Disputa sobre contratos
Em fevereiro de 2026, a empresa adiou a expansão nacional ao informar que mais de metade das redes com cinco ou mais lojas estava submetida a contratos de exclusividade ou banimento com plataformas concorrentes.
Em 29 de setembro, o Tribunal de Justiça de São Paulo atendeu a um pedido da Keeta e anulou cláusulas de exclusividade presentes em contratos da 99Food com restaurantes parceiros. O desembargador Rômulo Russo, relator do caso, determinou que a 99 não negocie, inclua, invoque ou execute cláusulas de banimento, exclusividade seletiva ou restrição comercial contra a Keeta.
O descumprimento da decisão sujeita a 99Food a multa de R$ 100 mil por contrato irregular.
A disputa também tramita no Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Em 2 de setembro, o tribunal do Cade rejeitou o pedido da Keeta para impedir que a 99Food firmasse contratos capazes de barrar a entrada de restaurantes em plataformas concorrentes específicas, como a Keeta e a Rappi.
Os conselheiros decidiram que não havia justificativa, naquele momento, para uma medida cautelar, mas determinaram a continuidade das investigações. O presidente do tribunal, Diogo Thomson de Andrade, afirmou que uma intervenção sem dados precisos sobre a participação de mercado das empresas poderia produzir efeitos indesejados no setor de delivery.


