A Polícia Federal indiciou a deputada Gorete Pereira (MDB-CE) e outras 28 pessoas na Operação Sem Desconto, que investiga descontos não autorizados em benefícios do INSS por associações de aposentados e pensionistas.
Gorete é suspeita de organização criminosa, estelionato previdenciário qualificado e lavagem de dinheiro. Conforme o relatório final da PF, empresas de fachada em nome de familiares e prepostos da deputada teriam recebido ao menos R$ 11 milhões. O documento também aponta que ela teria atuado como articuladora política do esquema, usando sua influência no alto escalão do INSS para viabilizar e proteger Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com associações fraudulentas.
A PF afirma que Gorete tratava o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, como amigo e que, em material apreendido, ele a chamou de irmã. A deputada também manteria contato sistemático com outros funcionários do instituto.
O advogado Waldir Xavier afirmou que Gorete ainda não foi oficialmente informada sobre o indiciamento e, por isso, não poderia se manifestar sobre os crimes atribuídos a ela. Ele declarou ter confiança na apuração sob supervisão de André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e “certeza de que a conduta por ela adotada foi pautada na licitude de seus atos”.
Gorete é suplente de Yuri do Paredão (MDB-CE), que está licenciado. Até janeiro deste ano, ela era filiada ao PL. Durante a campanha para deputada federal, a parlamentar usou tornozeleira eletrônica por determinação de Mendonça. O ministro negou o pedido da defesa para suspender o monitoramento, mas permitiu que ela circulasse pelo estado fora da área da comarca definida na decisão. Gorete recebeu 3.615 votos e não foi eleita.
Dados do DivulgaCand, da Justiça Eleitoral, mostram que ela recebeu R$ 670 mil para a campanha e gastou R$ 669,2 mil. O perfil de Gorete no Instagram também registra apoio de Eunício Oliveira, deputado federal e presidente estadual do partido.
Outros indiciados
A PF também indiciou Cecília Rodrigues Mota, sob suspeita dos mesmos crimes atribuídos a Gorete, além de falsidade ideológica. Cecília presidiu a Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB). A polícia afirma que ela atuou quando começaram as filiações fraudulentas e os descontos associativos não autorizados.
O relatório aponta ainda que Cecília teria operacionalizado pagamentos indevidos por meio da conta de sua sociedade de advocacia e de sua conta pessoal. Um dos pagamentos teria sido destinado ao escritório de Eric Fidelis, filho de André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS. Eric teria recebido R$ 2,4 milhões em 2024 e foi indiciado por organização criminosa e lavagem de dinheiro. André Fidelis também foi responsabilizado por esses crimes e por corrupção passiva.
A PF afirma que André assinou, somente em 2024, pelo menos sete ACTs que promoveram descontos de R$ 142 milhões por associações investigadas. As defesas de Cecília, Eric e André não se manifestaram sobre o relatório; a de Eric e André disse não ter tido acesso ao documento.



