O setor de serviços do Brasil voltou a contrair em setembro, com o PMI recuando para 49,2, ante 50,5 em agosto. O resultado marcou a queda mais intensa desde outubro de 2025, segundo o índice compilado pela S&P Global. A marca de 50 divide crescimento e contração.
A retração da demanda atingiu a atividade, o emprego e os novos pedidos. Restrições orçamentárias dos clientes, condições competitivas, fraqueza da demanda e cancelamentos de projetos levaram as vendas para o campo de contração. A produção também caiu, mas em ritmo leve.
A redução dos novos pedidos foi a quarta em sete meses. As empresas diminuíram o quadro de funcionários em ritmo moderado, o mais rápido em três meses. O número de empregados recuou em três dos últimos quatro meses.
Custos e expectativas
Os participantes da pesquisa citaram desafios políticos e econômicos, falta de investimentos e efeitos de greves. Apesar da piora da atividade, as empresas ficaram mais otimistas sobre as perspectivas de crescimento, diante da expectativa de condições econômicas melhores depois da eleição presidencial deste mês.
“Se for necessário um segundo turno da eleição, como muitos esperam, pode levar mais tempo para que a confiança seja restaurada e os investimentos sejam retomados”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence.
Os custos operacionais subiram novamente, pressionados por preços maiores de produtos químicos, materiais elétricos, alimentos, combustíveis, metais, embalagens, papel e madeira. Ainda assim, a inflação de custos desacelerou para o menor nível em seis meses.
Os preços cobrados pelos serviços tiveram o menor aumento em oito meses. Empresas que elevaram suas tarifas afirmaram ter repassado apenas parte do aumento dos custos aos clientes. Para De Lima, a menor pressão de custos limitou a inflação dos preços cobrados e aumentou a possibilidade de o IPCA ficar abaixo da estimativa preliminar e do teto de 4,5% estabelecido pelo banco central.
Com a contração nos serviços e na indústria, o PMI Composto do Brasil caiu para 47,4 em setembro, ante 49,1 em agosto. Foi a maior queda da produção do setor privado em um ano.



