SÃO PAULO — A Raízen Energia aprovou nesta sexta-feira (9) o pedido para listar suas ações na B3. A companhia reúne os negócios de açúcar, etanol e bioenergia do grupo Raízen, que pretende separar essa operação da distribuição de combustíveis como parte de seu plano de recuperação extrajudicial.
A decisão permite solicitar o registro no Nível 2 de governança corporativa e a negociação de ações ordinárias, preferenciais e units. Esses certificados combinam uma ação de cada tipo. A aprovação foi unânime entre as duas acionistas da empresa: a holding Raízen S.A. e a Blueway Trading, que também pertence ao grupo.
A operação não corresponde a uma oferta pública inicial de ações. A Raízen Energia não emitirá novos papéis nem levantará recursos. O objetivo é preparar a transferência futura das ações aos atuais acionistas da Raízen S.A., entre eles Shell, Cosan e investidores minoritários, que poderão negociá-las diretamente no mercado.
A proposta será analisada em 30 de outubro, durante assembleia da Raízen S.A. O plano prevê uma redução de capital de até R$ 35 bilhões na holding, com a entrega de ações da Raízen Energia aos acionistas, proporcionalmente à participação de cada um.
A distribuição depende da admissão efetiva dos papéis na B3 e da mudança do registro da Raízen Energia na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para a categoria A. O pedido ao regulador foi apresentado em 12 de agosto.
O plano de recuperação extrajudicial, homologado pela Justiça de São Paulo em julho, reorganiza cerca de R$ 61,4 bilhões em dívidas e oferece três formas de pagamento aos credores. Na principal alternativa, 45% do crédito é convertido em units da Raízen S.A. pelo valor de R$ 0,50 cada, enquanto o restante se transforma em uma nova dívida. Esses credores passam a deter participação na holding e, depois, também na Raízen Energia.
Quem não escolher uma alternativa recebe o valor em dinheiro, com desconto de 80%, em pagamento único em março de 2047. A terceira opção, destinada a pequenos investidores, prevê pagamento de até R$ 9.750 por crédito.
A reestruturação também altera a composição dos conselhos da holding e da Raízen Energia, que terão sete integrantes cada. Um comitê de credores indicará quatro membros. A Shell, que se comprometeu a aportar até R$ 3,5 bilhões, indicará três conselheiros. Esse número cai para dois se a Aguassanta, holding da família de Rubens Ometto, fizer um aporte de R$ 500 milhões e ocupar uma vaga.
Após a separação, os conselhos deverão iniciar a venda do controle ou da totalidade da distribuição de combustíveis, responsável pelo abastecimento da rede de postos da bandeira Shell. O plano precisa ser executado até 31 de dezembro de 2027. Caso suas condições não sejam cumpridas até 31 de março de 2027, ele será rescindido e as dívidas retornarão aos termos originais.



