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Grupo Carbon pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 371,5 milhões

Pedido envolve C Blindados e duas controladas, com cerca de 600 credores e dívida concentrada em bancos e fundos de recebíveis.

Grupo Carbon pede recuperação extrajudicial para renegociar R$ 371,5 milhões
Foto: Folhapress

O Grupo Carbon protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 371,5 milhões em dívidas. A solicitação foi apresentada na segunda-feira (5) pela C Blindados e por duas controladas: a Opera Glass, fabricante de vidros blindados, e a Vertco Blindagem.

A empresa atribui a crise ao descompasso entre o endividamento contratado para expandir as operações e o retorno dos investimentos, que ocorreu em ritmo mais lento que o previsto. Na recuperação extrajudicial, a companhia negocia diretamente com os credores e submete o acordo ao Judiciário. Se o plano for homologado, ele também poderá alcançar credores que não tenham aderido.

O pedido abrange credores quirografários, categoria que inclui fornecedores e bancos sem bens vinculados às dívidas. Conforme a petição, credores que representam 47,6% dos créditos já aderiram ao plano. A legislação permite iniciar o processo com o apoio de um terço dos credores, desde que a empresa obtenha a adesão de mais da metade em até 90 dias.

Aluguéis e credores

A Carbon informou que pretendia recorrer à Justiça somente depois de obter a maioria das adesões, mas antecipou a medida após três ações de despejo por falta de pagamento. Os processos envolvem o galpão de Barueri (SP), onde fica a sede, a fábrica de vidros em Jarinu (SP) e o showroom na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Os aluguéis dessas unidades somam R$ 459 mil por mês.

A companhia pediu uma liminar para impedir as desocupações durante a suspensão das cobranças. A ação relacionada ao imóvel de Barueri está pronta para julgamento depois de uma tentativa de conciliação sem acordo.

A documentação entregue à Justiça reúne cerca de 600 credores e 2.700 títulos de dívida, quase todos vinculados à C Blindados. A Opera Glass responde por cerca de R$ 11 milhões, enquanto a Vertco tem menos de R$ 1 milhão em débitos.

O maior credor é o fundo Amadeus, com R$ 95,3 milhões. O Banco Digimais aparece em seguida, com R$ 61,4 milhões em debêntures, e o fundo SSG tem R$ 38,4 milhões. Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Porto Seguro também estão na lista. Amadeus, SSG e Bradesco aderiram ao plano; Digimais, Banco do Brasil, Santander e Porto Seguro, não.

Investimentos e operação

Nos últimos cinco anos, o grupo afirma ter investido mais de R$ 180 milhões na produção própria de vidros e materiais balísticos. A verticalização começou em 2021, em meio à escassez de fornecedores de matérias-primas capazes de acompanhar o aumento da demanda.

A unidade de Jarinu consumiu cerca de R$ 80 milhões. A previsão era iniciar as atividades em maio de 2025, mas a operação começou apenas em abril deste ano. Nesse período, a empresa diz ter mantido duas folhas de pagamento e os aluguéis das antigas unidades em Mogi das Cruzes e Atibaia.

Segundo o pedido, o custo médio das dívidas é de 22%. Os vencimentos previstos para os próximos 12 meses somam R$ 139 milhões, enquanto a geração de caixa é de R$ 52 milhões.

A Carbon afirma que a operação continua viável e que o problema está concentrado no endividamento. A receita líquida cresceu 45% em 2025, para R$ 673 milhões, e o Ebitda passou de R$ 15 milhões para R$ 41 milhões.

Fundado em 2015, o grupo afirma responder por cerca de 16% das blindagens de veículos civis do país. A Carbon é homologada por Volvo, Jaguar Land Rover, Toyota e BYD. O grupo reúne cerca de 1.300 empregados e prestadores diretos e produziu mais de 6.000 veículos blindados em 2025. Seu concorrente citado é a Avallon Blindagens.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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