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Setor ferroviário pede continuidade para avançar em projetos no Brasil

Executivos e regulador apontam investimentos previstos, entraves e necessidade de planejamento de longo prazo para ampliar a malha ferroviária brasileira.

Setor ferroviário pede continuidade para avançar em projetos no Brasil
Foto: John MacDougall/AFP

Executivos do setor ferroviário cobram continuidade nas políticas públicas e previsibilidade para destravar investimentos no Brasil. A avaliação foi apresentada durante a InnoTrans, feira realizada na capital alemã, que reuniu mais de 3.000 expositores de 59 países.

O evento exibiu 113 veículos, entre trens-balas, composições movidas a hidrogênio e bondes urbanos. A inteligência artificial também esteve entre os principais temas, com potencial de gerar de US$ 20 bilhões a US$ 50 bilhões em receitas adicionais para a indústria, segundo cálculos da consultoria BCG.

Investimentos e concessões

No mercado global, o crescimento anual esperado para o setor é superior a 3% até 2031. A região Ásia-Pacífico concentra a liderança dos investimentos, especialmente na Índia, enquanto África e Oriente Médio reúnem a maior quantidade de planos de expansão.

As referências ao Brasil na feira se concentraram nos obstáculos para projetos de longo prazo. Victor Araújo, CEO da subsidiária brasileira da Plasser & Theurer, afirmou que o país precisa de estabilidade para atrair investimentos. Ele destacou que o setor depende de recursos públicos e envolve ciclos longos.

Uma comparação recorrente no segmento mostra a diferença de custos: um quilômetro de rodovia custa R$ 4 milhões, enquanto um quilômetro de ferrovia chega a R$ 30 milhões. Apesar do investimento maior, Araújo defende que o retorno ocorre no longo prazo, com redução do custo do frete e maior velocidade no transporte.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva chega ao fim deste ano com 50 leilões de infraestrutura realizados nas áreas de rodovias, portos e aeroportos. No setor ferroviário, porém, o próximo governo deverá receber projetos com R$ 154,9 bilhões em investimentos previstos. Dos oito leilões listados pelo Ministério dos Transportes, apenas o do Corredor Minas-Rio deve ocorrer ainda neste ano.

O leilão será feito por chamamento público. Nesse modelo, a malha é oferecida em troca de investimentos, com o objetivo de atrair interessados para trechos subutilizados ou abandonados.

Projeções para a malha

Guilherme Sampaio, diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, afirmou que houve aumento de 25% no investimento na malha ferroviária nos últimos cinco anos, equivalente a R$ 50 bilhões. Para os próximos cinco anos, a agência trabalha com uma projeção conservadora de repetição desse valor, acompanhada de um novo crescimento de 25% ou 30%.

A avaliação é de que esse movimento impulsiona toda a cadeia da indústria ferroviária. Araújo, que atua no setor desde 2011, disse que parte dos projetos continua sem execução, embora tenha reconhecido avanços nas autorizações e nas concessões sem pagamento de outorga.

O executivo também afirmou que a entrega de uma máquina leva de 24 a 36 meses, dependendo do modelo, e defendeu uma linha do Finame do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social voltada para serviços. Segundo ele, essa alternativa poderia acelerar a atualização de equipamentos existentes no país.

O Brasil tem 30 mil quilômetros de ferrovias concedidas à iniciativa privada, mas apenas 10 mil quilômetros são operacionais. Leonardo Alves, diretor da operação brasileira da Goldschmidt, projeta crescimento para a indústria nos próximos três anos, com alta prevista de 8% em 2027.

Entre os projetos acompanhados pelo setor estão a Ferrogrão, a Ferrovia Centro-Atlântica, a Malha Oeste e o Anel Ferroviário do Sudeste, que conecta o porto de Vitória, no Espírito Santo, ao porto do Açu, no Rio. Também está no horizonte a conclusão da renovação da Ferrovia Tereza Cristina e da FTL, a maior ferrovia do Nordeste.

Para Alves, a ampliação do transporte ferroviário passou a ser uma necessidade diante dos limites do modal rodoviário. Sampaio afirmou que uma agenda estruturada para os primeiros 6 meses do próximo ano inclui projetos considerados relevantes para o setor.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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