A União Europeia pretende ampliar a rede de acordos de livre-comércio para diversificar seus parceiros comerciais, afirmou Maros Sefcovic, comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica. Segundo ele, os Estados Unidos continuam sendo a maior relação comercial individual do bloco, mas o comércio global está mais politizado.
Sefcovic negou que exista uma guerra comercial entre a UE e os Estados Unidos. A estratégia europeia, disse, é priorizar o diálogo e firmar acordos que ampliem as oportunidades para empresas, fortaleçam cadeias de suprimentos e reduzam dependências excessivas.
Acordo com o Mercosul
A aplicação provisória do acordo entre a UE e o Mercosul começou em 1º de maio de 2026. De maio a agosto de 2026, as exportações brasileiras para a União Europeia aumentaram 23,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. As exportações totais do Brasil cresceram cerca de 11%, o que deixou o desempenho das vendas para a UE 12,5 pontos percentuais acima do total brasileiro.
Entre os produtos com maior crescimento estão os abacates, com alta de 443%, o óleo de milho bruto, com 347%, e o café torrado, com 232%.
O comissário afirmou que a implementação começou bem, mas avaliou que ainda é cedo para medir todos os efeitos econômicos do acordo. A UE é o maior investidor estrangeiro no Brasil, com estoque de investimentos de € 276 bilhões (R$ 1,6 trilhão) em 2024.
Sobre a possibilidade de o Brasil deixar o Mercosul, Sefcovic afirmou que o país continua sendo parte signatária do acordo porque o ratificou conforme seus procedimentos nacionais e com ampla maioria no Parlamento. Ele disse estar confiante na continuidade da parceria e afirmou que a UE respeita o direito dos brasileiros de escolher seu presidente.
O acordo ainda será analisado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia. Depois da decisão, o Parlamento Europeu dará a palavra final e os Estados-membros seguirão para a ratificação definitiva. Enquanto isso, o tratado comercial está sendo aplicado provisoriamente em sua totalidade.
Carne e aço
Sefcovic afirmou que a Comissão Europeia concluiu a avaliação dos controles de antimicrobianos nos setores brasileiros de aves e mel, com conclusões positivas. Os resultados serão apresentados aos Estados-membros, cuja aprovação é necessária para a entrada da medida em vigor. Se houver aprovação, a implementação poderá ocorrer imediatamente, abrindo caminho para a retomada das exportações desses produtos.
A União Europeia também impôs uma cota às importações de aço. Segundo o comissário, a medida foi adotada em um cenário de sobrecapacidade global e se baseia nas salvaguardas já existentes para o setor. Ele afirmou que a UE perdeu 65 milhões de toneladas de capacidade industrial e 100 mil empregos na siderurgia.
As importações de parceiros comerciais preferenciais representam 80% do total das compras de aço da UE. Por isso, a medida foi aplicada a todos os países terceiros. Sefcovic disse que o bloco mantém contato com interlocutores brasileiros e espera encontrar, nos próximos meses, uma solução que considere os interesses da indústria brasileira e a segurança econômica europeia.
Mais acordos comerciais
A UE tem 45 acordos com 81 países. Com as negociações concluídas com Indonésia, Índia e Austrália, o número chega a 48 acordos, abrangendo 83 países. O bloco também alcançou um acordo substancial sobre seu tratado de livre-comércio com as Filipinas.
Em relação aos Estados Unidos, Sefcovic afirmou que uma Declaração Conjunta limitou a 15% as tarifas americanas sobre produtos da UE e criou exceções para setores como aeronaves e medicamentos genéricos. O comércio entre os dois lados somou quase US$ 2 trilhões em bens e serviços em 2025.
Para o comissário, o acordo com o Mercosul faz parte da estratégia europeia de diversificação. Delegações empresariais da UE já visitaram o Brasil para estabelecer vínculos comerciais. Sefcovic afirmou que irá à região em dezembro para participar de fóruns empresariais em Punta del Este e Buenos Aires.


