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Unctad prevê crescimento menor para o PIB brasileiro até 2027

Relatório cita inflação, juros elevados e efeitos da guerra no Oriente Médio como fatores para a desaceleração da economia brasileira.

Unctad prevê crescimento menor para o PIB brasileiro até 2027
Foto: Chip East -24.set.12/Reuters

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve desacelerar nos próximos anos, segundo o relatório anual Trade and Development Report 2026, divulgado nesta sexta-feira (9) pela Unctad (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). Depois de crescer 2,3% em 2025, a economia brasileira deve avançar 1,8% em 2026 e 1,5% em 2027.

A entidade atribui a perda de ritmo à inflação mais alta e a um processo de redução de juros mais lento do que o esperado antes da guerra no Oriente Médio. O Brasil aparece entre os países cujos bancos centrais mantiveram as taxas em níveis elevados, encarecendo o crédito para as famílias.

Mesmo com a desaceleração, o relatório afirma que a atividade brasileira continua apoiada pelo consumo das famílias, pelo investimento privado e pelas exportações agrícolas. A Unctad também coloca o Brasil entre as economias do Sul Global que podem exercer papel de âncora regional em uma nova configuração geoeconômica, ao lado de Índia e Nigéria.

O documento cita ainda a expansão internacional do Pix pelo Banco Central brasileiro. Argentina, Chile, Colômbia, Paraguai e Uruguai já estão integrados ao sistema, enquanto existem negociações com México e Portugal.

Cenário mundial

Para a economia global, a Unctad projeta crescimento de 2,6% em 2026 e 2,7% em 2027, abaixo dos 2,9% registrados em 2025. A agência relaciona a desaceleração principalmente ao choque do petróleo provocado pela guerra no Oriente Médio e pela interrupção do trânsito no Estreito de Hormuz. O barril do Brent subiu de US$ 70 para mais de US$ 110 nas semanas seguintes.

A alta dos combustíveis pressionou os preços e levou bancos centrais a adiar cortes ou elevar juros. O Fed aumentou as taxas em setembro, na primeira elevação desde 2023. Os juros de longo prazo dos títulos de países ricos também se aproximaram do maior nível em duas décadas.

Nesse ambiente, o consumo privado global deve passar de uma expansão de 2,9% em 2025 para 2,6% em 2026 e 2,4% em 2027. Entre as maiores economias, a Índia tem projeção de crescimento de 7,3% em 2026, seguida por China, com 4,5%, e Estados Unidos, com 2,1%.

O investimento em inteligência artificial aparece como um fator de sustentação. Nos Estados Unidos, os aportes em data centers devem chegar a cerca de US$ 400 bilhões em 2026 e US$ 600 bilhões em 2027. A Unctad, porém, identifica sinais de bolha e estima em US$ 4,1 trilhões até 2030 o investimento em IA financiado por empréstimos.

Os ganhos do setor estão concentrados. Em um servidor de ponta da Nvidia, a entidade calculou que 68% do valor adicionado fica com o lucro operacional da cadeia, enquanto os trabalhadores recebem menos de 15%. A participação dos países em desenvolvimento é inferior a 1%.

Comércio mundial

O comércio global de bens e serviços cresceu 4,4% em termos reais em 2025 e deve avançar cerca de 4% em 2026. Para a Unctad, o comércio passa por uma reconfiguração, e não por uma retração.

O comércio direto entre China e Estados Unidos caiu mais de 20% em 2025. No mesmo período, as economias do Leste Asiático elevaram as exportações para os Estados Unidos em 23,3% e para o restante da América do Norte em 32,2%.

As vendas chinesas cresceram 12,8% para o Leste Asiático, 11,6% para a Europa e 11,1% para outros países em desenvolvimento. Produtos ligados à inteligência artificial, como semicondutores e servidores, tiveram alta de 22% em 2025 e movimentaram US$ 4,2 trilhões, respondendo por 42% do crescimento nominal do comércio global de mercadorias.

No segundo trimestre de 2026, entretanto, os preços do comércio de mercadorias subiram 29% em termos anualizados, enquanto o volume avançou apenas 1,5%.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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