SANTIAGO (CHILE) — A fabricante chinesa de ônibus Zhongtong começará a operar no Brasil em 2027, inicialmente com a importação de veículos montados na China. A empresa também planeja instalar uma fábrica no país, com investimento que pode chegar a R$ 100 milhões.
A entrada no mercado brasileiro será feita por meio de uma representação comercial com a TEVX, empresa do Grupo Águia. O grupo também controla a operadora de turismo Stella Barros. A TEVX havia negociado anteriormente a representação da chinesa Higer, mas a parceria não avançou.
A Zhongtong é a segunda maior fabricante de ônibus da China e detém cerca de 9% do mercado local, atrás da Yutong. As conversas com a TEVX começaram após a feira Busworld, realizada em outubro de 2025, na Bélgica, segundo Carlos Souza, CEO da empresa brasileira.
Modelos e produção local
A TEVX apresentou no Chile os modelos que serão oferecidos no Brasil. A linha inclui cinco ônibus urbanos, com comprimentos entre 7 e 18 metros, todos com piso baixo, além de um veículo para transporte rodoviário.
A estratégia prevê reproduzir no Brasil a operação mantida pela Zhongtong no Chile, onde a marca atua com o representante Cabal. No ano passado, foram entregues cerca de 900 ônibus ao sistema de transporte público chileno. Souza afirmou que o modelo é usado como referência principalmente em pós-venda e estoque de peças.
A produção brasileira é considerada certa pela companhia, de acordo com o executivo, por causa de uma obrigação contratual com os chineses. O município que receberá a fábrica já foi escolhido, mas o anúncio deve ocorrer depois das eleições de outubro. Souza afirmou que há 99% de chances de a instalação ocorrer no local definido e citou razões fiscais para aguardar o pleito.
Durante esse período, uma comitiva da TEVX viajará à China para discutir os valores e a origem dos recursos destinados à fábrica. O investimento pode chegar a R$ 100 milhões, com possibilidade de financiamento pelo caixa da Zhongtong ou de divisão entre a fabricante chinesa e os parceiros brasileiros.
A empresa estima que será necessário vender cerca de 900 ônibus por ano para justificar a produção local. Esse volume corresponde a 15% do mercado total de ônibus do país. A fabricação deve começar pelo sistema CKD, no qual os veículos são enviados desmontados da China para montagem no Brasil.
Ainda não foi definido se os ônibus usarão carrocerias chinesas ou produzidas no Brasil por empresas como Caio e Marcopolo. A parceria também inclui equipamentos para operações de transporte de passageiros, como pontos de recarga. Na China, a Zhongtong fabrica carregadores e outros sistemas de gestão da eletricidade.
Outro projeto envolve oferecer consultoria de mobilidade urbana a municípios brasileiros pequenos, considerados potenciais compradores de ônibus elétricos. Nessas cidades, é comum a aquisição de veículos usados que já circularam em sistemas de transporte de áreas metropolitanas maiores.
Além da Zhongtong, outras nove empresas oferecem chassis de ônibus elétricos no Brasil: Scania, Volkswagen, Volvo, Mercedes-Benz, Iveco, Eletra, Agrale, Marcopolo e BYD.



