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Flávio chega ao segundo turno com agenda centrada em problemas cotidianos

Analistas avaliam que temas como endividamento, renda e segurança ajudaram o senador, enquanto Lula apostou no legado de governos anteriores.

Flávio chega ao segundo turno com agenda centrada em problemas cotidianos
Foto: Bruno Santos/Folhapress e Douglas Shineidr/AFP

A campanha de Flávio Bolsonaro chegou ao segundo turno à frente de Lula, depois de concentrar a comunicação em endividamento, custo de vida, renda e violência cotidiana. O senador terminou a primeira votação com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do presidente.

Para os analistas, a escolha dos temas ajudou Flávio a se afastar do estilo de confronto associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai. Na segurança pública, o candidato falou sobre roubo de celular, facções e redução da maioridade penal. Camilo Aggio, professor da UFMG e pesquisador do INCT.DD, classificou a abordagem como punitivista e voltada a problemas enfrentados pelos eleitores no dia a dia.

Wilson Gomes, professor da UFBA, avaliou que a estratégia também respondeu à expectativa sobre a identidade política do senador. “Todo mundo estava observando para ver se Flávio era Jair 2 ou se era outra pessoa”, disse. Segundo ele, a campanha priorizou assuntos cotidianos em vez de questões morais e provocações.

Diferenças entre as campanhas

Lula, por sua vez, apostou no legado de seus governos anteriores e na própria biografia. Gomes criticou a ausência de uma proposta de futuro associada exclusivamente ao petista. “Campanhas eleitorais são sobre o futuro”, afirmou Aggio, ao apontar que a propaganda deu poucas respostas para promessas feitas em 2022 que não foram cumpridas.

A campanha de Lula começou tratando também de soberania, tema considerado mais distante das preocupações do eleitor por Aggio, e passou a abordar renda com a proximidade da eleição. Para o pesquisador, essa mudança veio depois que Flávio colocou esses assuntos no centro de sua propaganda.

A proibição das bets, apresentada pelo PT como uma medida de saúde pública ligada ao endividamento das famílias, foi considerada um acerto de Lula por Aggio. Na avaliação dele, sem essa mudança de direção, Flávio poderia ter vencido já no primeiro turno. Os ataques ao adversário também ganharam espaço na comunicação petista, mas, segundo o pesquisador, a plataforma não poderia se limitar a isso.

Fatores além da propaganda

Os analistas ressaltam que a comunicação não explica sozinha o resultado. Flávio venceu nos três maiores colégios eleitorais do país, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de liderar no Sul. Lula ficou à frente em estados do Nordeste.

Bruno Bolognesi, professor da UFPR, atribuiu parte do desempenho de Flávio à rede formada por vereadores, prefeitos, deputados e influenciadores alinhados ao bolsonarismo. Para ele, o PT não conseguiu construir articulação equivalente em escala local.

Bolognesi também apontou o desgaste de um partido que ocupou a Presidência por cerca de 20 dos últimos 24 anos. A rejeição dos dois candidatos chegou a 45% cada um, segundo o Datafolha. Na avaliação de Gomes, o antipetismo levou eleitores de direita a se concentrarem em Flávio, visto como o candidato mais viável para derrotar o PT.

A abstenção foi de 21,08%, o equivalente a 33,4 milhões de pessoas. Lula e Flávio chegaram à votação com rejeições semelhantes, em um cenário descrito por Gomes como de candidatos com piso alto e teto baixo.

Segundo turno

A propaganda no rádio e na TV será retomada nesta sexta-feira (9) e seguirá até 23 de outubro, antevéspera da votação. Serão dois blocos diários de dez minutos para a disputa presidencial, divididos igualmente entre os candidatos, além de inserções ao longo da programação.

A avaliação dos analistas é que a campanha de Lula deverá mudar de forma significativa, com maior aproximação do ambiente digital e foco no receio de interrupção de programas sociais. A estratégia de Flávio tende a ser mantida.

As duas campanhas, segundo Gomes, exibiram em algum momento um clima de vitória antecipada. Ele citou a declaração de Lula de que esperava vencer no primeiro turno e a fala de Flávio sobre usar a vantagem da direita no Congresso para mudar a Constituição e “redemocratizar o país”. Na quarta-feira (7), o senador disse que se referia a propostas como a redução da maioridade penal e o fim da reeleição.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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