A campanha do presidente Lula apresentou nesta quinta-feira (9) uma notícia de fato à Procuradoria-Geral Eleitoral para pedir a investigação de possíveis crimes eleitorais relacionados ao projeto B22. Também prepara uma ação de investigação judicial eleitoral contra Flávio Bolsonaro, candidato do PL.
O caso envolve um site que oferece tokens gratuitos a usuários que compartilham mensagens sobre o B22 e conteúdos favoráveis a Flávio. A campanha de Lula sustenta que a iniciativa pode caracterizar uso indevido dos meios de comunicação social, abuso do poder econômico e compra de votos. Segundo a ação, essas condutas podem levar à cassação de chapa.
O site foi lançado em 6 de outubro e é divulgado pelo perfil hyperskidsafrica, no Instagram, que tem 12,9 milhões de seguidores. A conta arrecada recursos para construir casas para crianças em Uganda. Um vídeo mostra crianças dançando com camisetas amarelas com a inscrição B22 token e cantando “vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro”. O vídeo já passou de 1,2 milhão de visualizações.
O projeto afirma que parte das vendas da criptomoeda B22 será destinada a iniciativas para crianças em Uganda. No site, as crianças aparecem associando a compra e o compartilhamento do token ao voto no número 22. A página também informa que elas receberam 120 milhões de tokens.
Pedidos apresentados à Justiça
Na notícia enviada à Procuradoria-Geral Eleitoral, a campanha cita o artigo 334 do Código Eleitoral, que proíbe o uso de organização comercial de vendas, distribuição de mercadorias, prêmios e sorteios para propaganda ou aliciamento de eleitores. A regra prevê detenção de seis meses a um ano e cassação do registro quando o responsável for candidato.
Em uma ação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral, a campanha pede a retirada de conteúdos e o bloqueio do site. O pedido afirma que houve pagamento, por terceiros e pessoa jurídica, para a realização de propaganda eleitoral. Também acusa o projeto de explorar a vulnerabilidade social das crianças para provocar comoção e arrecadar recursos para a candidatura de Flávio.
A campanha compara o funcionamento do B22 aos campeonatos de cortes de vídeos promovidos por Pablo Marçal na campanha para a Prefeitura de São Paulo em 2024. Nesses eventos, participantes concorriam a prêmios em dinheiro conforme o número de visualizações. Marçal foi condenado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico, e, em dezembro de 2025, o TRE-SP manteve sua inelegibilidade por oito anos.
Negativas e informações do projeto
A campanha de Flávio Bolsonaro disse que adotará medidas judiciais nas áreas eleitoral, cível e criminal para derrubar o site. Também afirmou desconhecer a autoria da página e negou qualquer relação com o conteúdo ou com a venda de criptomoedas.
A assessoria declarou ainda que não há perfis contratados pela campanha para divulgar produtos ou conteúdos e que os canais oficiais foram informados ao TSE e seguem a legislação eleitoral.
O site B22 afirma que a distribuição dos tokens é independente de voto, preferência eleitoral ou divulgação de propaganda. Também diz que o projeto não é oficial, não tem vínculo com políticos, partidos, candidaturas ou campanhas e não constitui doação eleitoral.
Kevim Flores, apontado como idealizador do projeto, foi procurado por mensagens no Instagram e no X, mas não respondeu. Perfis associados a ele divulgaram atualizações do site, as criptomoedas B22, o apoio a Flávio Bolsonaro e a ajuda a crianças africanas. Em uma publicação, Flores afirmou que o token poderia ter valorização de mais de 3.000% até uma possível vitória de Flávio no segundo turno, em 25/08.

