Augusto Cury, candidato à Presidência, escreveu cinco livros sobre Jesus nos quais afirma estudar o personagem com base na psiquiatria e na psicologia. A análise apresentada nas obras, porém, é descrita como predominantemente religiosa, com conceitos científicos usados para revestir passagens bíblicas.
A série comenta episódios dos evangelhos e os relaciona a ideias psicológicas desenvolvidas anteriormente por Cury. Essa abordagem é acompanhada de críticas à leitura bíblica feita pelo autor, especialmente no episódio do encontro entre Jesus e a mulher samaritana, narrado no Evangelho de João.
Cury interpreta a sucessão de parceiros da samaritana como sinal de dificuldade para sentir prazer e de relações interpessoais frágeis. A leitura é classificada como incompatível com o contexto histórico e cultural do mundo antigo. Naquele período, mulheres não podiam se divorciar nem escolher livremente seus parceiros; o divórcio era uma prerrogativa masculina. Assim, a troca de maridos poderia decorrer de repúdio pelo cônjuge ou de viuvez, e não necessariamente de instabilidade emocional ou busca por prazer.
No primeiro volume, o escritor afirma que “a ciência foi tímida e omissa em investigar a inteligência de Cristo”. Em seguida, sustenta que os pensamentos de Jesus ultrapassam os parâmetros científicos. A combinação dessas duas afirmações é apresentada como uma tensão: a ciência é acusada de não investigar o tema, mas o assunto também é colocado além do alcance da razão.
A tentativa de usar referências científicas aparece ainda na discussão sobre o nascimento virginal de Jesus. Cury afirma que a ciência não pode comprovar o episódio porque não tem acesso ao material genético de Maria e de Cristo. Ao mesmo tempo, argumenta que a ciência não poderia considerá-lo impossível, mencionando a clonagem.
A proposta inicial era examinar a inteligência de Cristo a partir dos quatro evangelhos, chamados pelo autor de “biografias de Cristo”. Ao longo da coleção, contudo, o objetivo se amplia para a análise da própria mente de Deus. Cury também defende que os cursos de psicologia incluam o estudo da personalidade de Jesus, preferencialmente com base em seus livros.
A avaliação final é que a série não apresenta contribuição consistente ou novidade sobre a inteligência e a mente de Jesus Cristo. As obras são caracterizadas como interpretações devocionais apresentadas com aparência científica, distantes do ambiente acadêmico.



