ESPÍRITO SANTO — Lucas Polese, do PL, foi eleito deputado federal com a maior votação da história do Espírito Santo: 419.735 votos, equivalentes a 19,66% do eleitorado. Aos 29 anos, ele deixa a Assembleia Legislativa para integrar a bancada do partido na Câmara dos Deputados.
A trajetória política de Polese começou em 2016, quando criou no Instagram o perfil do Instituto Liberal do Espírito Santo, o Iles. O objetivo declarado era fiscalizar políticos e defender ideias de liberdade no estado. O perfil soma hoje 7.000 seguidores.
“Eu tinha 18 anos quando comecei e ninguém ia parar para ouvir as minhas opiniões”, afirmou Polese ao explicar a escolha do nome instituto. Segundo ele, a intenção era apresentar as publicações como posicionamentos de uma organização, e não apenas como opiniões pessoais.
Redes sociais e campanha
Polese se filiou ao PL depois que o perfil ganhou alcance. Ele afirma ter crescido em um ambiente antipetista e diz que buscou compreender as diferenças entre as ideias que ouvia em casa e as apresentadas na escola. Também cita a leitura da Escola Austríaca, de Olavo de Carvalho e de declarações de Jair Bolsonaro como parte de sua formação política.
Pelo PL, foi eleito deputado estadual em 2022, com 29.490 votos. Na disputa para a Câmara, recusou recursos do fundo eleitoral oferecidos pelo partido. A campanha reuniu R$ 105 mil, conforme a Justiça Eleitoral, em aportes próprios, do pai e de vaquinhas online.
A presença nas redes foi parte da estratégia. Polese soma pouco mais de 302 mil seguidores, enquanto Nikolas Ferreira tem 22,8 milhões e Lucas Pavanato, 5,6 milhões. Nikolas também divulgou a candidatura do colega de partido.
Polese atribui o resultado não apenas à comunicação digital, mas também à atuação na Assembleia Legislativa. Entre os trabalhos que destaca está a autoria do PL 166/23, que previa punições para invasores e ocupantes de propriedades privadas. O projeto foi aprovado pelo plenário, mas acabou vetado integralmente pelo então governador Renato Casagrande.
Prioridades e controvérsias
Na Câmara, o deputado eleito pretende priorizar temas relacionados ao Estatuto da Propriedade Privada, à agricultura, aos direitos do proprietário rural, ao uso do solo e à cobrança pelo uso da água. Ele também cita a experiência com processos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária como base para essa agenda.
O histórico de Polese inclui episódios questionados na Justiça e por autoridades. Em 2023, ele foi multado após uma abordagem da Lei Seca enquanto usava um veículo oficial. A Polícia Militar informou que ele se recusou a fazer o teste do bafômetro. Polese disse que estava cumprindo agendas diplomáticas e que havia brindado com um embaixador do Azerbaijão. O caso foi arquivado.
Ele também foi condenado a pagar R$ 8.000 a um professor da rede municipal de Jaguaré, no norte do estado. A decisão envolveu um vídeo em que Polese associou o educador à doutrinação ideológica, à apologia ao comunismo e ao incentivo à invasão de propriedades rurais. Segundo o processo, imagens do professor foram usadas sem autorização. A defesa recorreu.
Polese afirmou que a publicação tratava do significado da palavra apologia e comparou o uso de um símbolo comunista por um professor ao uso de uma suástica. Em seguida, disse: “Não estou falando que o comunismo é igual ao nazismo. É a semântica das palavras”.



