NATAL — O presidente Lula (PT) defendeu, em ato neste sábado (10), a redução de impostos federais sobre a gasolina e a renovação do subsídio ao etanol. A medida foi adotada 16 dias antes do segundo turno e zerou o imposto federal sobre a gasolina.
Lula afirmou que os recursos obtidos com a exportação de petróleo pela Petrobras estão sendo usados para reduzir o impacto do aumento dos combustíveis. “Estamos subsidiando para que o preço da guerra não chegue no pão do povo, não chegue no leite do povo”, disse.
O presidente também criticou a promessa de cortes apresentada por seu adversário, Flávio Bolsonaro (PL). Segundo Lula, a redução de R$ 250 bilhões poderia atingir a população mais pobre. “Eles sempre cortam dos pobres”, afirmou.
Durante o ato, Lula disse que a sociedade deveria questionar quais áreas seriam afetadas pelo chamado tesouraço. Também declarou não conhecer integrantes da elite brasileira que tenham cortado recursos de ricos, banqueiros, empresários, fazendeiros ou do sistema financeiro.
O presidente associou sua vitória à continuidade de obras, investimentos e programas sociais no Nordeste. Entre as iniciativas citadas por ele estão o Farmácia Popular, os institutos federais, o financiamento de bolsas e o Minha Casa Minha Vida. Lula afirmou que uma derrota representaria o fim desses programas e do desenvolvimento da região.
Ele pediu ainda que os eleitores convençam pessoas idosas a voltar às urnas no dia 25. No evento, exibiu um cartaz com imagens de Maria, mãe de Jesus, acompanhado da mensagem para que levasse a imagem de Nossa Senhora.
Lula participou do ato ao lado de Cadu de Lula (PT), candidato ao governo do Rio Grande do Norte. Também estiveram presentes os governadores eleitos no primeiro turno Rafael Fonteles (PT), do Piauí; Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia; Elmano Freitas (PT), do Ceará; e Lucas Ribeiro (PP), da Paraíba.
Disputa no Rio Grande do Norte
O segundo turno no estado será disputado por Cadu de Lula e Allyson (União Brasil). No primeiro turno, Allyson terminou à frente, com 36,94% dos votos válidos, enquanto Cadu Xavier, que usa o nome Cadu de Lula nas urnas, teve 36,16%. A diferença foi inferior a um ponto percentual.
Cadu tenta manter os oito anos de governos do PT no estado, sob Fátima Bezerra, e preservar a influência de Lula na região. Allyson, ex-prefeito de Mossoró, procurou se afastar tanto de Lula quanto de Flávio Bolsonaro durante a campanha.
Allyson é investigado na Operação Mederi, aberta pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União em janeiro de 2026. A apuração trata de suspeitas de desvio de recursos públicos e fraudes em licitações na área da saúde de prefeituras do estado, entre elas Mossoró. Ele nega participação em esquema criminoso.
No primeiro turno da eleição presidencial, Lula obteve 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% de Flávio. Em seu primeiro ato do segundo turno, na sexta-feira (9), o presidente esteve em Ceilândia (DF), ao lado de Leandro Grass (PT), candidato ao governo do Distrito Federal.
Na ocasião, Lula mencionou o Banco Master e mortes na Covid-19, sem citar Flávio Bolsonaro nominalmente. No ato em Natal, também afirmou que uma eventual vitória de seu adversário levaria à destruição de conquistas do Nordeste.


