A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de afastar preventivamente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, provocou reações de autoridades, dirigentes da corporação e candidatos à Presidência e ao Congresso nesta terça-feira (8). Também foi afastado Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial.
A Segunda Turma do STF formou maioria para referendar o afastamento, mas a análise foi interrompida depois que o ministro Gilmar Mendes apresentou um pedido de vista.
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais classificou a decisão como descabida e uma intromissão. Disse que a apuração de possíveis delitos é adequada, mas afirmou que a medida teria caráter eleitoral e pediu providências ao STF.
Reações na Polícia Federal
William Marcel Murad, diretor-geral substituto e número dois da PF, afirmou durante a abertura do LXIII Curso de Formação Profissional para agente de Polícia Federal que a instituição resistirá a ataques. Ele declarou “total confiança” em Andrei Rodrigues e disse que os investigadores atuam de forma técnica, imparcial e sem viés político.
Onze diretores da PF divulgaram uma nota de apoio a Rodrigues e colocaram seus cargos à disposição de Murad. Assinaram o documento Dennis Cali, Fabrício Schommer Kerber, Otavio Margonari Russo, Felipe Tavares Seixas, Helena de Rezende, Roberto Reis Monteiro Neto, André Luis Lima Carmo, Christiane Correa Machado, Alexsander Castro de Oliveira, Ademir Dias Cardoso Júnior e Humberto Freire de Barros.
A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) afirmou acompanhar o caso e defendeu que o afastamento do comando da PF seja baseado em indícios concretos e verificáveis. A entidade recomendou que o tema seja analisado pelo Plenário do STF, além de defender o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
Reações políticas
Flávio Bolsonaro, senador do PL e candidato à Presidência, apoiou a decisão e acusou a PF de atuar contra adversários políticos de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele defendeu que a instituição retome autonomia para investigar crimes.
Augusto Cury, candidato do Avante, também elogiou Mendonça. Afirmou que o caso indicaria o uso político da polícia e propôs mandato fixo para o diretor da PF, escolhido a partir de lista tríplice.
Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, disse estar satisfeito com a saída de Rodrigues, mas criticou tanto lulistas quanto bolsonaristas por tratarem o episódio de forma política. Ronaldo Caiado, do PSD, chamou a decisão de firme e corajosa e defendeu imparcialidade das instituições.
Romeu Zema, candidato do Novo, atribuiu o afastamento a um pedido de seu partido e mencionou um relatório de 200 páginas com referências a Rodrigues no celular de Daniel Vorcaro.
Entre os críticos da medida, Gleisi Hoffmann, candidata ao Senado pelo PT, afirmou que o afastamento protege os criminosos investigados pela PF no governo Lula. Nikolas Ferreira, candidato à reeleição à Câmara dos Deputados por Minas Gerais, apoiou Mendonça e citou elementos constitucionais usados para justificar a suspensão cautelar.
Lindbergh Farias, candidato a deputado federal pelo PT do Rio de Janeiro, chamou Mendonça de bolsonarista e fanático. Ele criticou o afastamento de Rodrigues e defendeu a divulgação dos sigilos relacionados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro. Farias também afirmou que qualquer autoridade envolvida em irregularidades deve ser responsabilizada.



