SÃO PAULO — O documentário “22 Semanas” e a fotografia “Aqueles que carregam os mortos” receberam menção honrosa na 48ª edição do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (30). As obras foram reconhecidas nas categorias de produção jornalística em vídeo e fotografia.
Produzido pela TV Folha, “22 Semanas” tem reportagem de Angela Boldrini e participação de Giovanna Stael, Henrique Santana, Nicollas Witzel, Beatriz Peres e Mariana Goulart. O filme reconstitui o caso de uma menina de 10 anos que engravidou após ser vítima de estupro, em 2020, e precisou viajar do Espírito Santo a Pernambuco para realizar um aborto legal.
A produção também aborda a atuação da então ministra Damares Alves para impedir o procedimento, revelada na época pela Folha. O documentário faz parte de uma série especial publicada em agosto de 2025, cinco anos após o caso. O trabalho investiga o atendimento à criança, os desdobramentos do episódio e a atuação de grupos contrários e favoráveis ao direito ao aborto.
A fotografia de Eduardo Anizelli registra os efeitos da Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 no Rio de Janeiro. A ação deixou 122 mortos e foi considerada a operação policial mais letal da história do país. A imagem mostra moradores diante da retirada dos corpos, em meio à violência na zona norte da cidade.
Anizelli havia sido enviado para cobrir uma operação na Vila Cruzeiro, mas encontrou uma situação mais grave do que a inicialmente prevista. A série também recebeu premiação na categoria de reportagem do World Press Photo 2026.
Criado em 1978, o Prêmio Vladimir Herzog reconhece trabalhos jornalísticos relacionados à promoção da democracia, da justiça e dos direitos humanos. A cerimônia da 48ª edição será realizada em 20 de outubro, no Tucarena, em São Paulo, às 20h.



