LONDRES — A Anthropic afirmou que agentes de inteligência artificial podem, em poucos meses, conseguir se autorreplicar entre dispositivos domésticos conectados à internet. A empresa alertou que esse tipo de propagação poderia atingir aparelhos como fornos e televisores e formar redes difíceis de controlar.
A desenvolvedora do Claude publicou o alerta em seu blog na segunda-feira (12). Segundo a empresa, se os modelos continuarem avançando no ritmo atual, poderão se espalhar pela internet de maneira semelhante a vírus de computador, que passam de um dispositivo para outro sem intervenção humana.
“Estamos vendo sinais de vida de vírus de IA”, afirmou a Anthropic ao apresentar sua pesquisa. A empresa comparou a disseminação lenta por aparelhos sem proteção a um “bolor pegajoso digital”.
Risco para dispositivos conectados
O alerta trata dos aparelhos da chamada internet das coisas, categoria que inclui dispositivos usados para controlar luzes, tomadas, termostatos e sistemas de segurança. Esses equipamentos se tornaram mais comuns na última década.
A Anthropic afirmou que muitos deles têm baixo nível de proteção. Entre os motivos estão a fabricação de baixo custo por produtores de hardware padronizado, o uso na transmissão ilegal de serviços de TV e o encerramento das atividades das empresas que os desenvolveram originalmente.
Esse tipo de hardware pode ser explorado por hackers. A capacidade de programação dos sistemas de IA já é usada para tornar ataques mais rápidos e personalizados, segundo a empresa.
Propagação gradual
A Anthropic disse que os primeiros vírus de IA tenderiam a se espalhar lentamente, de forma parecida com um bolor ou um enxame de moscas-das-frutas que se reproduz ao longo de vários dias. A velocidade, porém, poderia aumentar conforme os aparelhos eletrônicos se tornassem mais sofisticados e os modelos, mais eficientes.
A empresa citou como referências de programas maliciosos o ILOVEYOU, o Stuxnet e o ransomware WannaCry. Esses casos combinaram disseminação por redes com impactos sobre computadores e organizações.
“Ainda não temos um replicador mal-intencionado completo, mas os agentes estão cada vez mais capazes de concluir as etapas individuais da cadeia de replicação”, afirmou a Anthropic. A empresa defendeu o reforço dos sistemas para dificultar a disseminação e a preparação para um cenário em que esses agentes continuem existindo.



