SÃO PAULO — O mercado imobiliário de alto padrão da capital paulista registrou menos lançamentos no primeiro semestre de 2026, enquanto os imóveis usados e prontos para morar ganharam espaço entre compradores de alta renda. Mesmo com a redução da oferta, os preços avançaram nos bairros mais valorizados.
O número de unidades novas acima de R$ 2 milhões caiu 53,5% na comparação com o primeiro semestre de 2025, segundo levantamento da Brain Inteligência Estratégica. No segundo trimestre, foram lançados 1.109 imóveis, contra 2.827 no mesmo período do ano anterior, uma retração de 60,8%.
O Valor Geral de Vendas (VGV) lançado no segmento recuou de R$ 10,8 bilhões para R$ 5,8 bilhões entre os segundos trimestres, em valores corrigidos pelo INCC. A queda foi de 46,4%. As vendas de unidades novas também diminuíram: passaram de 2.226 para 1.082 imóveis no período, baixa de 51,4%. No acumulado do semestre, o recuo foi de 39,4%.
Preços e imóveis usados
No segmento residencial vertical de alto padrão e luxo, os imóveis acima de R$ 5 milhões tiveram aumento de 20,8% no preço médio do metro quadrado no segundo trimestre de 2026. O valor chegou a R$ 40.628. O tíquete médio subiu 47,2%, para R$ 10,88 milhões.
A Vila Nova Conceição liderou o ranking de preço por metro quadrado, com R$ 46.566, seguida por Jardins (R$ 43.213), Jardim Europa (R$ 42.413), Jardim América (R$ 41.497) e Cerqueira César (R$ 41.204). Fábio Araújo, CEO da Brain, afirmou que o Itaim Bibi se destaca pela firmeza dos preços, embora a retração da oferta ocorra em diferentes áreas da cidade.
Dados das guias de ITBI da Prefeitura de São Paulo, reunidos no estudo Radar Pilar do Alto Padrão, mostram que as revendas residenciais acima de R$ 3 milhões movimentaram R$ 7,78 bilhões no primeiro semestre de 2026. O avanço nominal foi de 10,3%, e o crescimento real, de 5,6%.
O valor médio das propriedades revendidas passou de R$ 6,01 milhões para R$ 6,43 milhões. A Vila Nova Conceição concentrou R$ 853 milhões em negociações, distribuídas em 119 transações. No Itaim Bibi, foram R$ 674 milhões, com alta de 24,9% no tíquete médio, que chegou a R$ 5,75 milhões. Jardim América, com R$ 562 milhões, Jardim Paulista, com R$ 516 milhões, e Jardim Europa, com R$ 453 milhões, também apareceram entre as áreas de maior movimento.
Perfil da demanda
A migração para imóveis usados está associada à busca por localizações consolidadas e apartamentos maiores. Fábio Araújo disse que parte dos compradores escolhe unidades de revenda para acessar essas características e realizar reformas.
Felipe Abramovay, CEO da Pilar, afirmou que o comprador de alta renda continua ativo, mas avalia com mais rigor o imóvel, a região e o momento da aquisição. O estudo mostra que as propriedades acima de R$ 3 milhões representaram 24,1% do valor movimentado em imóveis prontos na cidade, ante 22,8% um ano antes.
Para Abramovay, juros, inflação e o cenário político e econômico afetam o setor, mas compradores de alto padrão dependem menos de financiamento. Nos lançamentos voltados ao público de altíssimo padrão, Araújo aponta que parcerias com Pininfarina, Vogue, Armani, Porsche e Lamborghini têm funcionado como elemento de diferenciação e aumentado a percepção de valor dos empreendimentos.



