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ArcelorMittal prevê mais de R$ 10 bilhões em investimentos no Brasil

Queda nas importações de aço e medidas antidumping sobre produtos da China e da Índia reduziram a pressão sobre a empresa.

ArcelorMittal prevê mais de R$ 10 bilhões em investimentos no Brasil
Foto: Divulgação

A ArcelorMittal prevê investir mais de R$ 10 bilhões em sua operação brasileira nos próximos anos, depois que medidas antidumping reduziram a entrada de aço importado da China e da Índia. A companhia já tem um plano de R$ 25 bilhões para o país, iniciado em 2022, e pouco menos da metade desse valor ainda será executada.

As medidas foram adotadas pelo governo após uma investigação sobre a concorrência das importações. A decisão permite aplicar tarifas antidumping por até cinco anos. No primeiro semestre deste ano, as importações brasileiras de produtos de aço recuaram 17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo o Instituto Aço Brasil.

“Não dá para dizer que as medidas não ajudaram. Ajudaram sim”, disse Jorge Oliveira, CEO da ArcelorMittal Brasil. A participação do aço importado no mercado nacional, que havia superado 25% em janeiro deste ano, ficou em torno de 16% em julho e agosto, conforme dados do Mdic compilados pelo Instituto Aço Brasil. Para Oliveira, o nível considerado suportável seria de aproximadamente 10%, pela média histórica.

Novos investimentos

Cerca de metade dos mais de R$ 10 bilhões planejados será destinada à unidade Tubarão, na Serra (ES). A empresa instalará no local um laminador de tiras a frio e uma linha de revestimento contínuo, com capacidade para produzir 560 mil toneladas de produtos por ano. A previsão é que a unidade entre em operação em 2030.

Os equipamentos produzirão itens de maior valor agregado para os setores automotivo, da construção civil e de linha branca. A ArcelorMittal também conclui estudos de viabilidade para ampliar a usina no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará. Atualmente, a unidade fabrica apenas placas de aço, produtos semiacabados. A expansão poderá transformar essas placas em bobinas para o mercado interno, principalmente para as indústrias automotiva e da construção civil.

“Estamos preparados para investir, desde que a equação da importação seja adequada para nosso crescimento”, afirmou Oliveira. O Brasil é o segundo principal mercado da ArcelorMittal, atrás apenas dos Estados Unidos.

No segundo trimestre deste ano, a empresa teve receita de US$ 3,15 bilhões no Brasil, alta de 12,2% sobre os US$ 2,81 bilhões registrados entre janeiro e março. O Ebitda da operação brasileira avançou 20%, para US$ 401 milhões, na mesma comparação.

Perfil da operação e indústria

A construção civil responde por 37% da receita brasileira da companhia. O setor automotivo representa 25%, enquanto bens de capital correspondem a 15%. A construção enfrenta aumento de custos e juros altos; já o segmento automotivo sente o avanço de carros chineses, que chegam ao país com kits de peças importados e, portanto, não utilizam aço brasileiro.

Oliveira apontou o chamado custo Brasil como um problema para a indústria e defendeu medidas para reduzir custos de produção. Também citou a necessidade de diminuir o preço do gás natural e da energia. Para o executivo, a reforma tributária, cuja transição ocorrerá entre 2029 e 2032, pode simplificar o sistema, reduzir a cumulatividade e favorecer as exportações.

O Brasil ocupa a nona posição entre os países com maior participação na produção mundial de aço bruto e representa 1,8% do mercado global, segundo a Worldsteel. A China responde por 51,9%, a Índia por 8,9%, os Estados Unidos e o Japão por 4,4% cada, e a Rússia por 3,7%.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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