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Burocracia financeira consome nove horas semanais de pequenos negócios

Estudo da Nu Empresas e da Bridge Research mostra que obrigações fiscais, controle de caixa e notas fiscais concentram o tempo gasto.

Burocracia financeira consome nove horas semanais de pequenos negócios
Foto: Guilherme Matos/Folhapress

Donos de pequenos negócios no Brasil gastam, em média, nove horas por semana com burocracias financeiras. Ao longo de um ano, o tempo chega a 468 horas, o equivalente a quase três meses de trabalho distribuídos entre diferentes tarefas.

O estudo foi realizado pela Nu Empresas e pela Bridge Research com 1.200 donos de pequenos negócios de todo o país, entre clientes e não clientes do banco digital. As obrigações fiscais e tributárias são as atividades que mais consomem tempo, citadas por 43% dos entrevistados. Em seguida aparecem o controle de entradas e saídas, com 41%, e a emissão de notas fiscais, com 40%.

A carga varia conforme o porte da empresa. Microempreendedores individuais gastam, em média, oito horas por semana com tarefas financeiras e burocráticas. Nas micro e pequenas empresas, a média sobe para dez horas. No varejo, que inclui lojas, balcões e maquininhas, são 11 horas semanais, contra oito horas em escritórios e consultórios.

A empresária Shirley Moreira, 58, administra há mais de 25 anos uma loja de varejo e atacado na avenida 25 de Março, em São Paulo. Para ela, a burocracia é uma perda de tempo que reduz a disponibilidade para outras atividades. “Tenho um monte de coisa que dá para fazer e melhorar. Só que como melhora?”, afirmou.

O levantamento também identificou que 30% dos entrevistados gastam tempo com a conciliação, conferência para verificar se o pagamento de cada venda entrou na conta. O vice-presidente da Nu Empresas, Maximiliano Damian Rodrigues, relatou o caso de uma empreendedora que conferia manualmente comprovantes de vendas emitidos pela maquininha e os comparava com o extrato bancário.

O controle do caixa é feito em papel ou caderneta por 23% dos participantes. Outros 53% usam planilhas digitais, enquanto 29% recorrem a plataformas oferecidas pelos bancos.

Impacto na gestão dos negócios

Para 68% dos entrevistados, o negócio seria mais lucrativo se houvesse menos burocracia. A mesma proporção, 53%, afirma que o tempo dedicado a essas tarefas provoca estresse e ansiedade. Também são 53% os que dizem deixar de se concentrar em estratégia e crescimento por causa da sobrecarga bancária e administrativa.

Além disso, 45% afirmam já ter perdido oportunidades de negócio enquanto resolviam questões burocráticas e financeiras. Nos três meses anteriores à pesquisa, 85% disseram ter deixado de realizar tarefas importantes para o crescimento e a saúde da empresa.

O planejamento foi a atividade mais afetada: 37% deixaram de planejar o crescimento para o próximo ano. Outros 35% reduziram o tempo dedicado aos clientes atuais, e a mesma proporção deixou de investir em divulgação ou marketing. Cursos, treinamentos e eventos do setor foram deixados de lado por 33%. Apenas 15% afirmaram não ter abandonado nenhuma atividade por causa da burocracia.

Agdo Gabriel Freire Dantas, 26, dono de uma empresa de transporte de água potável por caminhão-pipa em Porto Velho, disse que as obrigações tributárias estão entre os principais gargalos do negócio. Segundo ele, as regras mudam por decisões dos legislativos federal, estadual e municipal, o que aumenta a dependência de um escritório de contabilidade.

A empresa atende condomínios, órgãos públicos e moradores na capital e no interior. Para operar, precisa de licença da vigilância sanitária e outorga para usar poços, além de manter regularização, balanços e certidões negativas para contratos com órgãos públicos. Dantas afirma que, com mais tempo disponível, investiria em marketing digital para fechar contratos e captar clientes.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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