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Financiamento climático cresce na região, mas fósseis ainda lideram

Recursos para ações climáticas chegaram a US$ 108 bilhões em 2024, enquanto petróleo, carvão e gás receberam US$ 95 bilhões.

Financiamento climático cresce na região, mas fósseis ainda lideram
Foto: Reuters

O investimento climático na América Latina e no Caribe dobrou entre 2020 e 2024, passando de US$ 54 bilhões (R$ 281 bilhões) para US$ 108 bilhões (R$ 563 bilhões). Mesmo assim, os combustíveis fósseis receberam mais que o dobro dos recursos destinados a fontes de energia limpa em 2024.

Os dados são da Climate Policy Initiative (CPI), que publicou uma análise inédita sobre o financiamento de ações climáticas na região. Projetos de energia renovável receberam US$ 43 bilhões (R$ 224 bilhões) no ano passado. Já petróleo, carvão e gás natural atraíram US$ 95 bilhões (R$ 495 bilhões), segundo a Agência Internacional de Energia.

“É necessário mobilizar novos recursos para a transição climática, mas também redirecionar o financiamento que não está alinhado a ela”, afirma Sean Stout, analista sênior da CPI.

A organização diz que a continuidade dos investimentos em combustíveis fósseis ameaça os avanços no combate ao aquecimento global. María Sierra, gerente de inovação financeira da CPI para a América Latina, afirma que algum nível de extração deve continuar nos próximos anos, mas que as receitas da atividade precisam ser usadas para fortalecer a resiliência.

Felipe Martinelli, líder de transição energética na Arcadis, afirma que a expansão das fontes renováveis exigirá investimentos em sistemas de transmissão e armazenamento. Para ele, a substituição dos financiamentos fósseis pelos climáticos ocorrerá gradualmente, enquanto o desafio é transformar o capital disponível em projetos viáveis.

Brasil concentra a maior parcela

O Brasil puxou o crescimento do financiamento climático regional. Os recursos destinados ao país aumentaram 162,5% entre 2020 e 2024, impulsionados principalmente por painéis solares e agricultura sustentável. Nos demais países, a expansão foi de 50% no período.

O país concentrou 58% dos investimentos climáticos da região em 2024, com US$ 63 bilhões (R$ 328 bilhões). Os outros países sul-americanos receberam US$ 25 bilhões (R$ 130 bilhões), enquanto o México atraiu US$ 8 bilhões (R$ 41 bilhões). As nações caribenhas movimentaram US$ 5 bilhões (R$ 26 bilhões), e a América Central, US$ 7 bilhões (R$ 36 bilhões).

O investimento médio por brasileiro foi de US$ 297 (R$ 1.550) em 2024, quase o dobro da média de US$ 164 (R$ 856) por habitante nos países analisados. Guillermo Martinez, analista sênior da CPI, afirma que o resultado é compatível com as políticas e o mercado brasileiros, mas considera a proporção surpreendente.

Apesar do avanço acumulado, os investimentos verdes desaceleraram. O total de US$ 108 bilhões registrado em 2024 ficou abaixo dos US$ 110 bilhões (R$ 574 bilhões) de 2023.

A CPI calcula que o financiamento climático precisará crescer ao menos cinco vezes até 2030 para que a região cumpra as metas de emissões de carbono. O valor mínimo necessário seria de US$ 467 bilhões (R$ 2,4 trilhões) por ano. Entre as recomendações estão o fortalecimento dos sistemas financeiros, a atração de capital privado e o alinhamento das finanças públicas às metas de carbono.

Mitigação recebe a maior parte

Projetos de mitigação, que reduzem as emissões de gases do efeito estufa, receberam US$ 85 bilhões (R$ 443 bilhões) em 2024, o equivalente a 78,7% do total. Metade desses recursos foi direcionada a sistemas de energia, e 29% foram para florestas e agricultura.

A adaptação, voltada à preparação das cidades para eventos climáticos extremos, recebeu US$ 13 bilhões (R$ 67 bilhões), ou 12%. Projetos que combinam mitigação e adaptação somaram US$ 10 bilhões (R$ 52 bilhões), cerca de 9%.

No Brasil, 9% dos recursos foram destinados à adaptação, o menor percentual da região. A parcela chegou a 16% no Caribe e a 21% na América Central.

Participação pública e privada

Em 2024, US$ 54,8 bilhões (R$ 286 bilhões), ou 50% do financiamento climático, vieram de recursos públicos. Os aportes privados somaram US$ 53,4 bilhões (R$ 278 bilhões).

A composição variou entre os países. No Brasil, 66% dos recursos foram privados. No restante da América do Sul, o financiamento público respondeu por 62% do total. A participação pública foi de 75% nas nações caribenhas e de 77% na América Central.

Os recursos domésticos representaram 89% do financiamento no Brasil e 64% no México. No Caribe, 58% dos aportes vieram do exterior. A CPI relaciona essa diferença ao tamanho dos mercados e à percepção de risco.

Fora do Brasil e do México, a região ainda depende do financiamento público internacional. Em 2024, os recursos vindos de países externos à América Latina e ao Caribe somaram US$ 25,6 bilhões (R$ 132,4 bilhões), equivalentes a 23% do investimento climático local.

Os empréstimos foram a principal forma de financiamento público internacional. O fluxo também foi afetado por guerras e trocas de governos: entre 2023 e 2024, o financiamento público internacional para a região caiu 3%, e os pesquisadores avaliam que pode haver nova queda em 2025.

Texto produzido pela Redação Nexo Econômico com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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